Cota para convênios pode salvar HC
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de fevereiro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Da Sucursal
CriseHoje o HC destina 99% de seus 635 leitos para atendimento pelo SUS. Dívida com fornecedores é de R$ 7 milhõesO Conselho de Administração da Universidade Federal do Paraná deve analisar em março a proposta de destinar até 20% dos leitos do Hospital de Clínicas (HC) para atendimento a pacientes de convênios particulares. A medida seria uma forma de amenizar a grave crise financeira pela qual passa o HC, cuja dívida com fornecedores já chega a R$ 7 milhões.
A abertura do HC para convênios já foi aprovada pelo Conselho de Administração do hospital. A direção espera implantar a mudança ainda este semestre. Isso aumentaria nossa receita em pelo menos 50%, diz o diretor geral do HC, Mário Sérgio Cerci. Segundo ele, 15% dos pacientes internados no hospital têm algum convênio particular, mas acabam tendo o tratamento custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Não é justo cobrar do SUS o que caberia aos convênios cobrir, afirma Cerci.
No Conselho de Administração da UFPR, a proposta terá pelo menos um voto contrário: o da presidente do sindicato dos servidores técnico-administrativos, Roseli Isidoro. Ela argumenta que a abertura vai prejudicar a função social do HC, agravando as dificuldades da população mais pobre. A promessa de que o atendimento aos carentes permanecerá igual é uma balela. Vai haver discriminação, afirma.
Kraw Penas/Folha de LondrinaCerci, diretor geral do HC: Isso aumentaria nossa receita em 50%
Hoje, o HC destina 99% de seus 635 leitos para atendimento pelo SUS. Nos últimos dois anos, as dificuldades de ser um hospital público se tornaram maiores, deflagrando a maior crise já vivida pela instituição. O governo federal deve R$ 6 milhões ao HC, que só mantém as portas abertas graças à compreensão de fornecedores e à ajuda da comunidade.
Mesmo assim, o hospital já apresenta sinais aparentes da crise. Há duas semanas a empresa Otis suspendeu a manutenção dos elevadores, por falta de pagamento, e dois dos 12 elevadores estão parados. Na semana do Carnaval, o Departamento de Nutrição não tinha arroz nem açúcar em estoque. Tivemos que mudar o cardápio, servindo sopa no almoço e na janta, conta a nutricionista Cristiane Leite. O açúcar passou a ser levado de casa por funcionários.
Materiais de limpeza também são frequentemente comprados por funcionários, com dinheiro próprio. Segundo a nutricionista, há algumas semanas a louça utilizada pelos pacientes deixou de ser lavada com hipoclorito de sódio, como mandam as normas de desinfecção, e passou a ser limpa apenas com detergente comum.


