COT: sucesso na linha de frente do perigo
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quarta-feira, 02 de dezembro de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Maringá - Quando o policial federal maringaense Eduardo Maia Betini recebe um telefonema, quase sempre é sinal de que algum esquema criminoso no país está com as horas contadas. O engenheiro agrônomo é um dos 40 homens altamente treinados que integram o Comando de Operações Táticas (COT) da Polícia Federal, um dos mais bem sucedidos grupos das forças policiais brasileiras. Depois de acumular experiência, Betini e o colega catarinense, Fabiano Tomazi, lançaram ontem, em Maringá (Noroeste), o livro ''Charlie Oscar Tango - Por Dentro do Grupo de Operações da Polícia Federal'', em que revelam os bastidores desta força de elite que já cuidou, por exemplo, da segurança do ex-presidente norte-americano George W.Bush.
O COT foi criado em meados da década de 1980, envolto no contexto de redemocratização do país. Em 1987, meses depois já teve sua primeira prova de fogo, cumprida com sucesso: liberar um avião sequestrado, prendendo os criminosos sem ferir nenhum refém. Nestes 23 anos, o grupo acumulou experiência e ampliou sua atuação de situações antiterror para operações contra o tráfico de armas e drogas e assaltos a bancos, carros de valores, entre outra ações.
Embora refutem a condição de grupo mais bem treinado do país, os homens do COT são destacados sempre para as missões que envolvem maior grau de periculosidade e quando o resultado não pode ser outro que não o sucesso. ''Hoje há uma especialização cada vez maior do crime e a implementação de grupos como o COT é uma resposta que o Estado tem que dar para poder suprir a Polícia com meios e equipamentos necessários para fazer o enfrentamento'', comenta o agente, lembrando que sempre agem em conjunto com o setor de inteligência da PF.
Serviço secreto
Betini explica que o diferencial básico de um agente do COT é o treinamento. Por ano, o Comando realiza mais de 100 ações e, mesmo assim, procura cumprir a meta de dispensar 30% do tempo para as operações e garantir o restante para treinar os policiais. O desafio é que o COT é cada vez mais exigido.
Em março de 2007, por exemplo, Betini e Tomazi fizeram a segurança da comitiva do então presidente norte-americano George Bush, em Brasília. Ficaram no alto do hotel do casal, logo acima da suíte presidencial onde estava o casal mais poderoso, e talvez mais odiado, do mundo. E tiveram até que cobrir alguns descuidos do serviço secreto ''yankee'', que deixou o casal sair na sacada do hotel sem checagem prévia. ''O presidente saiu, olhou par nós e disse: hi, guys (oi, garotos)!''.
Noutra missão (ver quadro), em setembro de 2006, os homens do COT prenderam mais de 20 integrantes de uma quadrilha de assaltantes de banco que cavava um túnel para roubar duas agências no Rio Grande do Sul.
Numa última parte do livro, os autores fazem um breve estudo sobre sociedade e violência, apontando dicas que contribuem para melhorar a segurança no dia-a-dia das pessoas. ''O crime violento acaba sendo o foco das atenções mas as pessoas precisam cuidar também no que está na origem desta cadeia, que são os pequenos delitos, desordens que vão deteriorando o ambiente, a cidadania e fazendo a pessoa perderem a esperança'', conclui Betini.
Serviço: Outras informações sobre o livro podem ser obtidas no site www.charlieoscartango.com.br


