Costureiras de Curitiba estão desaparecendo
Maigue Gueths
De Curitiba
Até alguns anos atrás, mandar fazer roupas na costureira saía sempre mais barato do que as confecções já prontas. A prática era tão comum, que não havia família que não tivesse sua costureira. Uma prática comum era contratar uma destas profissionais como uma diarista, que recebia uma quantia pré-determinada para passar o dia costurando a domicílio. Ali, normalmente, ela apenas começava as peças, dando forma a calças, vestidos, saias e blusas para toda a família, deixando os trabalhos mais simples, como fazer barra, casas de botões ou pregar mangas para as donas de casa, que terminavam o trabalho. Foi assim que, durante décadas, muitas famílias conseguiram sobreviver, mesmo com grande número de filhos, como era comum antigamente.
Esta situação, hoje, é quase uma ficção. Diante de um mercado que oferece todo tipo de roupa pronta, como blusas e vestidos feitos na Tailândia, China ou Vietnan, a preços baixíssimos, de até R$ 5,00 ou R$ 15,00 respectivamente, a profissão de costureira vem minguando dia a dia. Lúcia Teleginski, costureira há 18 anos, conta que há três tinha quatro ajudantes trabalhando em seu ateliê. O movimento foi diminuindo e faz um ano que estou trabalhando sozinha, diz ela, que chegou a ganhar R$ 1,2 mil por mês. Atualmente, ela não ganha mais que R$ 400,00. Dinaci Stasin, costureira há 34 anos, também lembra de dias melhores. Nas décadas de 70, 80 o movimento era bem maior. Ainda dá para viver, mas hoje a clientela é diferente, diz.
Por outro lado, a quantidade de estabelecimentos de conserto e reformas de roupas, no mínimo, duplicou nos últimos anos. Basta comparar as páginas amarelas das listas telefônicas. Nádia Duma, que era gerente em uma boutique, abriu a Conserto Maria Fá há três anos e não se arrepende. Para ela, são os tempos economicamente mais difíceis que fazem com que homens e mulheres busquem serviços para modernizar antigos ternos ou vestidos. Ao contrário de Lúcia, Nádia viu sua vida melhorar nos últimos anos, passando de quatro para dez máquinas.
Outro que não tem do que reclamar é Lúcio Carlos Orowicz, proprietário da Oficina de Máquina de Costuras, no bairro Cabral, que especializou-se no conserto de máquinas antigas. A maior parte de sua clientela são pessoas que usam a máquina apenas para serviços da família. Com isso, há quatro anos ele mantém seu ponto, sempre com movimento, o que lhe garante o conserto de cerca três a cinco máquinas diariamente.





