A costureira Castorina Machado Oliveira quer uma resposta da delegacia de Polícia de Cambé, que está com o carro do marido dela retido desde novembro, sem maiores explicações. Sob a suspeita de adulteração de chassi, o Corcel II, placas ACY 5447, de Cambé, segundo a costureira, não foi mais visto desde a retenção. ‘‘Eles só mostram a chave’’, diz. A delegada Geane Aparecida dos Santos afirma que o inquérito já foi instaurado, mas não sabe dizer quando será concluído.
O veículo, ano 80, foi apreendido durante a vistoria no pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) no dia 12 de novembro. Conforme documento do Instituto de Criminalística de Londrina, o carro seria liberado oito dias depois. Mas isso não aconteceu: o veículo foi transferido para a delegacia de Cambé para abertura de inquérito. ‘‘Eles só ficam enrolando a gente e até agora não abriram inquérito para saber logo quem é o culpado’’, afirma Castorina. ‘‘Dá a impressão que eles querem dinheiro para liberar o carro.’’



Carro foi retido
porque estava
com número do
chassi remarcado


Com todos os documentos em mãos, a costureira estranha a desconfiança da adulteração só agora depois que o carro já passou por quatro transferências, incluindo uma de São Paulo para Rolândia e a troca da placa amarela para a branca. Castorina garante que o marido não fez adulterações, nem acredita que os proprietários anteriores tenham feito. ‘‘É tudo gente boa, limpa’’, justifica.
A delegada alerta que a última transferência foi há cinco anos. ‘‘De lá para cá já se passou muito tempo’’, diz. ‘‘Agora ela tentou fazer a transferência e não conseguiu porque o chassi foi implantado.’’ Geane afirma que a investigação visa localizar a vítima, que deve ter tido o carro roubado, e o autor da adulteração.
Enquanto o carro fica parado no pátio da delegacia, a situação na casa de Castorina se complica. O marido, José de Oliveira, usa o carro para o trabalho. Ele faz ‘‘bicos’’ de pedreiro, carpinteiro, ou o que aparecer. ‘‘Ele tem que ir de ônibus e dificulta bastante o serviço dele’’, reclama. ‘‘O pior é que nem tempo para ficar correndo atrás disso eu tenho, porque preciso costurar para pagar pelo menos as contas de água e luz.’’
A delegada afirma que a costureira deve requerer o depósito do veículo em juízo. ‘‘Já expliquei isso a ela.’’ Ela afirma que só assim Castorina poderá conseguir ficar com o carro até a conclusão do inquérito.

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