Elas acordam às 5h15 da manhã. Até as 08h00, quando tomam o café, já participaram da missa e cumpriram dois ofícios religiosos. Durante o período matinal realizam suas obrigações rotineiras, que envolvem o cuidado com a horta e os animais, e diversos tipos de trabalhos manuais. O tempo todo se mantêm em silêncio e em oração. Antes do almoço, ainda procedem a novas leituras bíblicas e, perto das 13h00, entram na primeira hora de recreação - que, para elas, significa poder conversar sobre assuntos corriqueiros. À tarde, novos ofícios religiosos, silêncio, trabalho e devoção. Às 21h00, se recolhem aos quartos. É esta a rotina contemplativa das irmãs carmelitas que moram no Mosteiro Nossa Senhora de Guadalupe, na zona sul de Londrina. Ali funciona o único ateliê religioso da cidade, onde produzem túnicas, batinas, estolas e outras vestes cristãs.
Após um contato telefônico, as irmãs, que vivem em clausura, aceitam receber a equipe da FOLHA e mostrar um pouco de seu trabalho. Ao contrário da idéia que se poderia ter - de que seríamos recebidos por senhoras excessivamente sisudas -, encontramos duas irmãs extremamente simpáticas, joviais e atenciosas: a madre priora, Maria Daili, de 57 anos (carmelita desde os 19), e a irmã Eliane Teresa do Amor Divino, de 29 (carmelita desde os 17).
Irmã Teresa explica que todo trabalho feito ali, apesar de ser comercializado, tem um significado maior. ''Tudo que fazemos é em oração. Nós nos dedicamos a esse recolhimento com Deus e passamos nossa vida em contemplação, rezando pela humanidade'', explica.
A produção é vendida no próprio mosteiro, onde há duas salas para recepção dos visitantes, ou sob encomenda. ''O problema é que muitos padres ainda não sabem que a gente faz as roupas e mandam buscar em São Paulo'', conta a madre. O preço das batinas, túnicas, casulas e estolas varia conforme o tecido e a quantidade de bordados - em média a partir de R$ 100. Além dos paramentos religiosos, elas produzem toalhas de mesa e banho, guardanapos, velas e outros artigos de enxoval. Dentro do claustro, onde a reportagem não teve acesso, elas mantém as máquinas de corte, costura e bordado.
A madre priora explica que os recursos obtidos com as vendas são utilizados na própria manutenção do mosteiro. ''Como viemos do Rio Grande do Sul há poucos anos, ainda estamos construindo nossa casa. Faltam uma ala e a igreja que será aberta ao público''.
Faz parte do ofício das irmãs rezar pela comunidade externa - coletivamente -, mas também de forma individual. ''Muita gente nos liga pedindo para que rezemos, e o fazemos com muita alegria. É a nossa devoção e o nosso carisma: orar por todos'', conta irmã Eliane. Quando a reportagem diz que vai divulgar o telefone para que novos pedidos possam ser feitos, elas agradecem. ''Não podemos sair por aí para mostrar o que fazemos, então dependemos dessa ajuda'', complementa.(F.C.)

Serviço
Visitas e encomendas, de paramentos e enxovais, no Mosteiro Nossa Senhora de Guadalupe, podem ser feitas pelo telefone (43) 3342-5405. As irmãs também aceitam doações de material de construção.
O Mosteiro da Ressurreição, de Ponta Grossa, mantém uma loja virtual na internet, no endereço www.ressurreicao.org.br

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