Fechar para o almoço é uma prática rara entre os estabelecimentos comerciais hoje em dia. Em plena Avenida Duque de Caxias, no Centro de Londrina, no entanto, ainda é fácil encontrar vários adeptos desse costume. Porém, enquanto alguns persistem em um hábito antigo, outros optam pelo fechamento por razões bastante pontuais.
A falta de segurança foi o principal fator que levou o gerente Gilberto Álvares a interromper o expediente da loja de máquinas industriais por duas horas, das 11h30 às 13h30, decisão tomada há três anos. ''Fomos assaltados duas vezes, uma delas bem na hora do almoço. Os ladrões aproveitam esse horário porque sabem que o número de funcionários fica reduzido, deixando a loja mais vulnerável'', revela.
Além disso, segundo Álvares, para ter condições de permanecer aberta, a empresa precisaria de mais funcionários. ''E no momento não temos condições de contratar, o movimento não justifica. Então prefiro fechar a oferecer ao cliente um atendimento precário'', explica o gerente, ressaltando que, dependendo das necessidades dos fregueses, a loja pode fechar um pouco depois ou reabrir um pouco antes.
A falta de condições financeiras para contratar mais funcionários também foi um dos motivos que levaram Hamilton Tiepo, sócio-proprietário de uma casa de tintas, a fechar para o almoço. Assim, ele ainda conseguiu evitar o pagamento de horas-extras pelo expediente aos sábados. ''O volume de vendas que nós perdemos no horário de almoço não compensaria o pagamento dessas horas-extras'', explica. Mas a sua maior motivação foi a vontade de estar mais próximo de sua família. ''Quando eu era solteiro fazia 40 minutos de almoço sem problemas. Mas casei, tive filhos e optei por ter mais tempo para almoçar junto com minha família'', revela.
Pensando em seus clientes, Tiepo admite que gostaria de permanecer aberto das 8 às 18 horas ininterruptamente e vem procurando alternativas para resolver a questão. ''Hoje, fecho das 12 às 13h30, mas sei que o telefone toca bastante nesse horário, e quando chego às vezes tem clientes esperando. Depois de cinco anos fazendo isso, acho que já deixei de vender uns R$ 240 mil'', calcula.
Todos os comerciantes entrevistados admitiram que sempre há clientes que reclamam do horário, mas assumiram também que os mais contumazes já se habituaram e até entendem as razões para fechar. ''Máquina não tem previsão para quebrar e eu sempre trago aqui. Já aconteceu de quebrar na hora do almoço e eu tive que esperar. Mas eles têm os horários deles, assim como eu tenho os meus'', afirmou o microempresário Valdemir Cesar Cevermine, lembrando que sua empresa também fecha para almoço.
''A hora do almoço é sagrada e tem que ser respeitada. Eu mesmo paro ao meio-dia e só volto às 14 horas'', assevera o pintor Denis Carlos Aliberti, para explicar porque concorda com o fechamento das lojas nesse horário.
Funcionário da loja de tintas, Roberto Soares Loureiro também concorda. ''É excelente, porque você resolve tudo antes do meio-dia, vai almoçar e volta tranquilo para recomeçar. Quando não fecha, você volta do almoço e, além de assumir seus clientes, ainda tem que terminar o que o outro funcionário deixou pela metade antes de sair'', justifica.

mockup