Costa Norte espera recursos do governo
Projeto foi lançado em 1998 para melhorar infra-estrutura turística de 14 municípios, que aguardam investimentos
DivulgaçãoRECUPERAÇÃOTerminal Turístico de Primeiro de Maio: município perdeu 4.500 alqueires de terras férteis com a formação do lago da represa de Capivara, em 1975Edinelson AlvesLAZER E FUTURONilson Lopes (esq.), que gosta de acampar com a família e o secretário de Turismo de Primeiro de Maio, Valdir Pedroni Silva (dir.)
Edinelson Alves
Enviado a Primeiro de Maio
Em março de 1998 o governador Jaime Lerner lançou, no Terminal Turístico de Primeiro de Maio, o projeto Costa Norte, cujo objetivo é melhorar a infra-estrutura de 14 municípios banhados pelas águas dos rios Paranapanema e Itararé no entorno das represas de Capivara e Xavantes. Apesar da grande expectativa criada pelo programa, passados quase dois anos, praticamente nenhum investimento foi feito para a execução das obras. Aliás, nem mesmo os prefeitos e secretários de turismo sabem informar quais são as obras previstas em seus respectivos municípios e qual o volume de recursos que deverá ser aplicado. Esse projeto é de fundamental importância para o desenvolvimento do turismo regional, mas ainda estamos na expectativa da sua viabilização. Estamos crentes de que o governo irá encontrar alguma alternativa para a obtenção dos recursos necessários, diz o prefeito de Primeiro de Maio, Paulo Todero.
Como o município foi o que mais sofreu prejuízo com a formação do lago da represa de Capivara, em 1975, quando 4.500 alqueires de terras férteis foram inundados com cerca de 80% de área de cafeicultura, Todero aposta no turismo como uma espécie de redenção econômica. Primeiro de Maio, que já teve 40 mil habitantes, hoje tem aproximadamente 12 mil moradores. Isso significa uma brutal perda de receita através dos anos, argumenta. Além de Primeiro de Maio, outros 13 municípios localizados nas margens do Paranapanema e do Itararé aguardam a execução do Costa Norte. São eles: Alvorada do Sul, Porecatu, Sertaneja, Leópolis, Santa Mariana, Itambaracá, Andirá, Cambará, Jacarezinho, Ribeirão Claro, Carlópolis, Salto do Itararé e Siqueira Campos.
O responsável regional pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, José Roberto Mazucatto, reconhece que o Costa Norte ainda não começou a ser executado. Por enquanto temos desenvolvido atividades dentro do programa Eco Verão, justificou. No ano passado, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, disse que estava tentando conseguir um financiamento de US$ 6 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Uma outra fonte de recursos seria o Ministério do Esporte do Turismo. Prefeitos ouvidos pela Folha mostraram preocupação comum: como há dificuldade de buscar recursos externos e o ministro Rafael Greca está enfrentando investigações em sua Pasta, o dinheiro necessário para o projeto turístico do Norte corre o risco de não ser viabilizado.
Iniciativa privada O dinheiro do projeto Costa Norte ainda não chegou, mas a iniciativa privada já está apostando no aproveitamento turístico. Só em Primeiro de Maio, às margens da represa de Capivara mais de R$ 20 milhões estão sendo investidos na execução de três grandes projetos: dois condomínios e um hotel resort.
Um dos condomínios é composto de lotes com área entre 1.250 e 4.200 metros quadrados, e fica numa ilha da represa de Capivara, em frente ao Terminal Turístico de Primeiro de Maio. São 167 terrenos em 22 alqueires de área seca, com infra-estrutura básica. O condomínio residencial prevê ainda áreas comuns para lazer e serviços: playground, quiosques, campo de futebol suíço, churrasqueiras, quadras de tênis, vôlei de areia e poliesportivas, lanchonete, e estruturas para embarque e desembarque tanto no continente quanto na ilha. A estrutura de transporte para visita à ilha: um catamarã (barco), com capacidade para 40 passageiros sentados; uma lancha para cinco pessoas, balsa de serviço para 25 toneladas de carga e uma lancha de serviço para o transporte de 18 passageiros ou pequenas cargas.
Já o resort ocupará uma área de 47 mil metros quadrados na margem continental da represa. Além de lazer e esportes, promete salas de ginástica, sauna, área para caminhadas, jet-sky, caiaque, veleiros, pedalinhos, além de quadras de futebol de salão, futebol suíço, basquete e tênis. Há ainda o projeto de um condomínio fechado com 30 unidades. Segundo Afonso Infante Rosa, um dos responsáveis pelo empreendimento, 65% dos negócios já foram fechados.
Além desses grandes projetos, o secretário de Turismo do município, Valdir Pedroni Silva, afirma que há outras 600 chácaras com benfeitorias às margens da represa, sendo 90% de proprietários de outras cidades que utilizam as casas para lazer e descanso no fim de semana. Praticamente todos os municípios banhados pela represa de Capivara estão abrindo loteamentos para casas de lazer.





