Cortes prejudicam atendimento pelo SUS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de setembro de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel - Os hospitais de Cascavel estão enfrentando sérios problemas para manter o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desde que o Ministério da Saúde realizou um corte de 15% no orçamento da Autorização de Internamento Hospitalar (AIH). Entre os hospitais, o mais prejudicado foi o Universitário, já que a grande maioria dos pacientes é atendida pelo SUS. Já os particulares reduzem ainda mais o atendimento aos pacientes que não podem pagar pelas consultas e atendimentos.
A presidente da Associação Regional dos Hospitais, a médica Aparecida Oleny Di Cicco Souza explica que a notícia do corte pegou a classe desprevenida e a deixou preocupada porque além de não receber nenhum aviso, a informação é de que os cortes vão continuar e sem previsão de parada. Ela acrescenta que o corte é retroativo a julho, o que ''penaliza'' ainda mais os hospitais que já prestaram o serviço e agora não receberam pelo mesmo.
Segundo a médica, a medida adotada pelo Governo Federal já está prejudicando hospitais, médicos e até pacientes. A única justificativa recebida por parte da Secretaria de Saúde do Estado é que o Ministério da Saúde atribui a medida à falta de recursos. No Paraná, o corte do governo federal atingiu os oito maiores municípios, entre eles, Curitiba, Londrina e Maringá. ''Se o próprio Ministério não tem recursos, quem é que vai ter'', questiona.
Aparecida observa que um paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) precisa de um atendimento monitorado 24 horas, auxiliado por médicos, enfermeiras, medicação e aparelhos que custam caro. Por este serviço o SUS paga R$ 300 pela diária. O valor diminiui conforme o tempo de internamento. Por exemplo, se houver a necessidade do paciente ficar em observação durante 20 dias, o SUS só paga seis, o restante fica a cargo do hospital. ''Como se nós tivéssemos a culpa do paciente ter que ficar muitos dias internado na UTI'', diz a médica.
A presidente da associação dos hospitais afirma que a única forma de melhorar o atendimento na saúde pública é o Governo Federal aumentar os investimentos. Ela diz que não pode especular qual o verdadeiro motivo da redução no orçamento das AIHs, mas frisa que em ''ano eleitoral'' tudo pode acontecer.


