Diretores do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) afirmaram ontem que a política de redução de pessoal adotada pela Petrobras nos últimos cinco anos pode ter agravado as consequências do vazamento de 4 milhões de litros de óleo ocorrido domingo na Repar, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Entre 1995 e este ano, o número de funcionários contratados da refinaria foi reduzido de 900 para cerca de 580.
O presidente do Sindipetro para o Paraná e Santa Catarina, Hélio Luiz Seidel, afirmou que o número de pessoas trabalhando nos postos de controle na área de operações da refinaria foi reduzido em mais de 50% nesse período, caindo de 300 para pouco mais de 100.
Seidel afirmou também que, há dois anos, foi extinto um posto de controle na área do scraper (cano aéreo que liga o duto que transporta o petróleo cru aos reservatórios). Foi nesse local que ocorreu o vazamento no domingo à tarde, cuja constatação pode ter demorado até duas horas. A área do posto desativado foi agregada a outro operador, obrigando-o a percorrer áreas muito extensas nas inspeções. Nesse setor, de Transferência e Estocagem, o número de funcionários foi reduzido de 14 para oito, segundo o Sindipetro.
‘‘Se tivesse um funcionário ali, ele teria percebido o vazamento com maior rapidez e o bombeamento do óleo poderia ter sido interrompido imediatamente’’, afirmou o sindicalista. ‘‘A presença de um operador naquele setor é fundamental.’’ Seidel considerou ‘‘danoso e criminoso’’ o processo de enxugamento da estatal. Afirmou também que a possibilidade de novos acidentes é ‘‘iminente’’.
O secretário-geral do Sindipetro, Pedro Teodoro Rocha, disse que o sistema de segurança do duto também não funcionou, o que fez com que o vazamento só fosse constatado em uma inspeção de rotina. Se tivessem funcionado, as válvulas de segurança teriam desviado o fluxo de óleo para tanques coletores de resíduos, impedindo que o produto escorresse para o solo e os rios. ‘‘Tememos pela segurança dos funcionários, da população e da natureza’’, afirmou Rocha.
O diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Albano de Souza Gonçalves, afirmou que apenas a sindicância interna, que deverá ser concluída amanhã, vai apontar as causas do acidente. ‘‘Qualquer constatação, agora, seria prematura.’’ Ele descartou que a falta de funcionários possa ter agravado o vazamento. ‘‘A maioria dos acidentes no mundo são causados por falha humana e a automação tem exatamente a finalidade de aumentar a segurança operacional’’, defendeu.

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