Várias árvores em Londrina têm sido cortadas, mas não são substituídas. Diariamente a Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) autoriza uma média de 12 cortes de árvores. Depois o proprietário do imóvel recebe um prazo de 60 dias para o replantio, mas o verdadeiro desafio, segundo a Sema, é que existem muitos cortes irregulares.
''Trata-se de um problema que a gente combate diariamente'', declarou a gerente de áreas verdes da Sema, Alexsandra Siqueira. Ela explicou que no último mês recebeu duas denúncias relacionadas a cortes não autorizados. ''Mas sabemos que esse número é irreal, pois a população ainda não tem o hábito de denunciar e só temos sete pessoas para fiscalizar toda a cidade e acabamos não tendo noção do número de cortes irregulares'', observou. Londrina tem cerca de 200 mil árvores.
Na calçada do Colégio Aplicação, na Rua Piauí (área central), a reportagem encontrou uma sequência de árvores cortadas e que não foram substituídas. Das quatro que caíram e foram cortadas, apenas uma foi reposta. O professor Marcelo Silveira estacionou na via e se queixou da falta de sombra para deixar o veículo. ''Estacionar debaixo da sombra é sempre bem melhor do que um lugar sem árvores, pois a temperatura fica bem mais amena'', argumentou.
Na Avenida Saul Elkind (zona norte) a dona de casa Lucinéia Chapiesk reclamou da retirada de um ipê com mais de 10 metros de altura, durante a reforma de uma calçada em um imóvel comercial. ''Era um ipê bonito, refrescava bastante'', relembrou. Moradora do Conjunto Sebastião de Melo César, ela relatou que perto de sua casa outros moradores da região também cortaram as árvores das calçadas e não as substituíram. ''Essas pessoas não têm noção da importância de uma árvore'', criticou.
Em um imóvel que está para alugar na Avenida Higienópolis, outro exemplo de árvore que caiu, teve de ser cortada, mas não foi substituída. A cabeleireira Andréa Carvalho, de São Paulo, disse temer que aconteça em Londrina o mesmo processo de erradicação de árvores em frente de imóveis em pontos comerciais que aconteceu na capital paulista. ''Londrina é uma cidade bonita, bem arborizada, mas se todo mundo adotar essa prática a cidade ficará igual a São Paulo, toda cinza'', argumentou.
Na Rua Montevidéu, no Parque Guanabara (zona sul), uma árvore foi serrada. O estudante Marcelo Domingues disse entender a razão de alguns proprietários de imóveis que fazem o corte. ''Nós não podemos cortar nada e se a gente faz a solicitação eles demoram 'séculos' para nos atender. Na minha casa, por exemplo, a poda de uma árvore foi feita mais de seis meses após termos ligado para a Sema.''
No Colégio Aplicação, a diretora Adriana Regina de Jesus afirmou que existe um grupo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) definindo como será feito o replantio das árvores nas calçadas da instituição. Segundo ela, isso deve acontecer no início do próximo ano.
Nos imóveis comerciais que a reportagem constatou o problema, os gerentes alegaram que não poderiam falar em nome do proprietário do imóvel. Como o telefone dos locatários não foi repassado à reportagem, foi deixado o contato da redação para que eles entrassem em contato, o que não aconteceu até o fechamento da edição.
Serviço - Denúncias de cortes irregulares para a Sema podem ser feitos pelo fone (43) 3372-4770 ou 3372-4763.

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