As universidades estaduais entraram na mira dos cortes do governo paranaense para o ano que vem. Um comunicado interno emitido esta semana pela Secretaria da Fazenda à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior determina a ‘‘reavaliação completa de suas despesas, visando a redução global dos dispêndios do Estado’’. O orçamento de 1999 da secretaria já havia sido cortado em 84%.
O pedido de alterações orçamentárias, saldos programados e geração de novas despesas também foram cancelados. O secretário Alex Beltrão, da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, disse ontem que terá uma idéia do impacto dos cortes somente a partir da próxima semana. Apesar da ordem de apertar o cinto, Beltrão se mostrou confiante. ‘‘Vamos procurar sofrer o menos possível em termos de rendimento’’, disse.
Na proposta de orçamento geral do Estado do próximo ano já é possível se ter uma idéia do tamanho da economia que está sendo planejada para as cinco universidades estaduais e as 12 escolas isoladas de ensino superior. O governo prevê que a secretaria tenha à disposição cerca de R$ 55,7 milhões. Este ano, o valor orçado é de R$ 355 milhões. Portanto, a redução orçamentária do biênio 98/99 cortou as verbas para apenas 16%.
O programa de contenção de gastos junto às universidades já está valendo. Viagens suspensas, ligações telefônicas substituídas por conversas via Internet e treinamentos de professores através de vídeo-conferências para eliminar despesas de deslocamento são as principais medidas para tentar barrar o avanço dos custos. ‘‘Esperamos que o impacto na economia brasileira seja num prazo bastante curto’’, torce o secretário Alex Beltrão. Segundo ele, a preocupação é reduzir ainda os custos de prestação de serviços, como treinamentos e formação de professores do ensino médio e profissionais da educação que prestam cursos de mestrado.
A diminuição no orçamento também afeta as universidades federais neste ano. As instituições vão dispor de apenas 43% dos recursos programados. O corte desencadeou protestos por todo o País. O reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Roberto Antunes dos Santos, disse que ‘‘o governo está sequestrando os recursos próprios da universidade’’. Santos chegou a comparar os cortes com o confisco da poupança promovido em 1990, no início do governo de Fernando Collor de Mello.

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