O prefeito de Campo Mourão, Tauillo Tezelli (PSDB), está desde segunda-feira em Brasília tentando assegurar que os cortes anunciados pelo governo federal não incluam a pavimentação da Estrada Boiadeira (BR-487), entre Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste (29 km a leste de Umuarama), que foi reiniciada em setembro, após oito anos de paralisação. Até agora, foram liberados R$ 5,4 milhões, o que só garante a continuidade das obras até o fim do ano. O orçamento para 1999 prevê outros R$ 4 milhões para a rodovia. Já o projeto total está orçado em R$ 30,8 milhões.
‘‘A Estrada Boiadeira não atende apenas aos interesses regionais, pois ele canalizará boa parte da produção do Mato Grosso do Sul para o porto de Paranaguá, contribuindo para o fortalecimento da economia estadual’’, frisa Tezelli. O prefeito argumenta ainda que o governo do Estado está concluindo a construção da ponte que liga Porto Camargo a Itaquiri (MS), para implantar o ‘‘corredor setentrional de exportação’’. ‘‘O asfaltamento do último trecho da Boiadeira faz parte desse projeto’’, diz Tezelli.
Antes de ir a Brasília, o prefeito já vinha mantendo contatos com a direção do Departamento Nacional de Estradas de Rodagens (DNER), em Curitiba, e buscando apoio de lideranças políticas do Estado. O sonho da conclusão da Boiadeira, que é reivindicada na região há cerca de 40 anos, virou pesadelo com o anúncio de que os maiores cortes do governo federal seriam no Ministério dos Transportes. Foi um balde de água fria no ânimo das lideranças locais, que comemoravam a retomada das obras e a elevação da Boiadeira para rodovia ‘‘classe 1’’.
Além da Boiadeira, Tezelli também teme que os cortes coloquem por água abaixo outros dois sonhos de Campo Mourão. Um deles é a construção da nova Santa Casa. A prefeitura assegurou R$ 738 mil através do Reforsus, mas ainda não conseguiu a liberação e R$ 1,2 milhão previstos no orçamento da União ainda para este ano. Com o ajuste do governo estadual, o prefeito também receia que o Estado não libere a contrapartida exigida. A Santa Casa foi iniciada em 1990, mas as obras pararam há dois anos por falta de dinheiro.
Outra preocupação de Campo Mourão diante dos cortes é garantir a conclusão das obras do anel viário, iniciadas em 1993 e, que, na maior parte do tempo, andaram em ritmo muito lento. A maior parte do asfalto, num trecho de 21,1 quilômetros, já está pronta, assim como uma ponte de 60 metros sobre o Rio do Campo e o viaduto sobre a BR-487, na saída para Guarapuava. O viaduto sobre a BR-158, na saída para Maringá, está em construção. ‘‘A obra está com 75% dos trabalhos concluídos e não pode parar agora’’, ressalta Tezelli.
Mamborê O prefeito de Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão), Ricardo Radomski (PMDB), viajou ontem a Curitiba, para cobrar do governo do Estado a liberação de repasses para a pavimentação da estrada que liga a cidade ao patrimônio de Guarani.
Os trabalhos começaram em agosto, através do programa ‘‘Caminhos do Saber’’, mas pararam na semana passada. A empreiteira alega que não vem recebendo os repasses necessários. A ligação asfáltica com Guarani, que fica a 22 quilômetros de Mamborê, é uma antiga reivindicação da comunidade.

mockup