Corte não afeta Rodovia do Mercosul
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Anna Camanducaia 
O corte orçamentário de R$ 1,3 bilhão do Governo Federal para o Ministério dos Transportes não deve prejudicar os projetos do programa Brasil em Ação que têm investimentos externos. Dentro dessa previsão, a Rodovia do Mercosul (corredor São Paulo-Curitiba-Florianópolis) não deve ter seu cronograma alterado. O projeto tem ajuda do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Eximbank, do Japão.
Segundo o gerente do programa Brasil em Ação, Jairo Rodrigues da Silva, o Governo Federal continuará repassando recursos para a obra. Os efeitos sobre o projeto serão minimizados porque a rodovia tem muita importância para o País. Ela está sendo tratada como um eixo de desenvolvimento. O representante do BID, Fernando Montenegro, disse que, até agora, as obras vêm progredindo e que o Governo Federal não anunciou nenhum corte em relação à Rodovia do Mercosul.
Custo - O investimento total na rodovia é de R$ 1,6 bilhão - R$ 450 milhões do BID, R$ 450 milhões do Eximbank, R$ 350 milhões do Governo Federal e R$ 350 milhões da iniciativa privada. Até setembro, foram gastos R$ 560 milhões em obras.
Hoje, 45% do corredor está pronto. A rodovia deve estar concluída no final de 1999, com exceção de dois trechos, na Serra do Cafezal, em São Paulo. O projeto de engenharia dessa região (30 quilômetros) ainda não foi feito. Nesse trecho, a rodovia só estará pronta em dois ou três anos.
Segundo o diretor regional do DNER, João Alberto Sautchuk, as obras estão prosseguindo normalmente no Paraná. Dois lotes já estão prontos e um terceiro deve estar concluído até janeiro. São nove lotes no Estado.
Em Santa Catarina, o túnel do Morro do Boi, na região de Camboriú, foi paralisado antes do anúncio de cortes do governo, como medida preventiva. O presidente da Unidade de Gerência do Projeto (UGP), Luziel Reginaldo de Souza, de Brasília, disse que isso não é motivo de preocupação. O túnel corresponde a um quilômetro num trecho de 32 quilômetros. O trecho todo deve custar R$ 74 milhões - R$ 18 milhões só o túnel. O lote é administrado pelas empreiteiras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e OAS.
Concessionárias - Até setembro de 1999, serão divulgados os dois consórcios que realizarão serviços na Rodovia do Mercosul e poderão explorar os pedágios. No próximo mês, as empresas devem entregar toda a documentação de habilitação.
No primeiro ano de trabalho, as empresas devem realizar os serviços iniciais, como sinalização, restauração de alguns trechos e alargamento de pontes, entre outros. Os maiores investimentos devem ocorrer no segundo ano. Nove praças de pedágio serão instaladas na rodovia. A cobrança está prevista para começar em junho de 2000.
Orçamento - Ao contrário do que foi publicado ontem pela Folha, o orçamento de 1999 para o DNER-PR ainda não foi definido. Os R$ 8,5 milhões citados na matéria se referem ao orçamento deste ano apenas para obras de conservação. A proposta do DNER-PR para 1999 é de que sejam repassados R$ 150 milhões para construção, restauração, adequação e eliminação de pontos críticos nas rodovias, R$ 8,5 milhões para obras de conservação e R$ 100 milhões para a Rodovia do Mercosul.


