Corte é compensação, acusa vereador
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Luka Morais 
A Grande Londrina foi proibida de reajustar a tarifa de ônibus e agora quer compensar com o corte dos passes gratuitos. A afirmação foi feita ontem pelo vereador Salvador Francisco (PSDB), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Municipal. Segundo ele, a empresa TCGL incluiu o valor dos passes gratuitos na planilha de custos apresentada quando foi concedido reajuste tarifário, em junho de 96.
De acordo com o vereador Salvador Francisco, como a empresa não conseguiu o reajuste da tarifa solicitado no início do ano, a forma de compensação encontrada foi a suspensão do benefício. A TCGL solicitou, em janeiro, que a passagem de ônibus aumentasse dos atuais R$ 0,60 para R$ 0,75 (um aumento de 25% na tarifa). O pedido foi negado pela Comurb.
O diretor da empresa, Manoel Lopes, nega a acusação de que estaria compensando a ausência de reajuste tarifário. Questionado sobre o assunto, ele se limitou a responder, de forma sucinta: Isso não existe.
O corte no fornecimento de passes a 11 das 33 entidades assistenciais de Londrina que tinham a isenção da tarifa aconteceu na última terça-feira, durante reunião entre representantes da empresa Grande Londrina, da Comurb e da Secretaria Municipal de Ação Social. O benefício ficou restrito às entidades que atendem portadores de deficiência. As 11 entidades excluídas temporariamente tinham apenas acordos verbais com a Prefeitura, feitos durante administrações passadas.
A medida, que reduziu de 90 mil para 45 mil o total de passes distribuídos mensalmente, está sendo questionada pela promotora da Vara da Infância e Adolescência, Solange Novaes Vicentin. Ao tomar conhecimento do problema enfrentado pelas entidades, ela decidiu abrir procedimento administrativo. Ontem, ela enviou ofícios à Comurb, TCGL e Ação Social pedindo explicações sobre o problema, que devem ser dadas até terça-feira. Quero saber desde quando foi suspenso o benefício e se o valor dos passes está incluído na planilha porque, se estiver, vamos tomar as medidas cabíveis para obrigar a concessionária a cumprir o que deve, diz a promotora da Infância e Adolescência.
Solange Vicentin afirma ainda que, caso esteja agindo irregularmente, a empresa Grande Londrina poderá ser obrigada, por meio de ação civil pública, a devolver o dinheiro dos passes que deixaram de ser fornecidos desde o ano passado. Esse é o caso da Epesmel, diz ela. Solange Vicentin acha que a situação é absurda, já que a promotoria vem tentando vagas para encaminhamento de crianças e adolescentes e agora é informada sobre o fechamento de algumas entidades, como a Guarda Mirim, pela falta de transporte gratuito. A promotora também quer agilizar a liberação de carteirinhas para deficientes físicos e mentais.
Enquanto o impasse não é resolvido, as entidades excluídas enfrentam dificuldades. Ontem, nenhuma criança compareceu à Guarda Mirim, que atende 349 alunos e recebia 13.960 passes por mês. A Folha tentou, através de vários telefonemas, contatar a presidente da entidade, Cristina Barros, que não foi encontrada até o fechamento desta edição. Ela está muito ocupada preparando um jantar, informou pela manhã uma funcionária do Programa do Voluntário Paranaense (Provopar), entidade que Cristina Barros também preside em Londrina.


