Corte de verbas prejudica entidades
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terça-feira, 16 de março de 1999
Especial para a Folha 
O corte de verbas do governo federal e a falta de recursos das administrações municipal e estadual estão levando algumas entidades assistenciais do Paraná a pensar no fechamento de portas e na mudança de estratégia no atendimento às pessoas necessitadas. O Ministério da Previdência e Assistência Social repassava mensalmente para o Estado R$ 423,5 mil. Os recursos do mês de dezembro foram suspensos e a partir deste ano as entidades receberão cerca de 35% a menos do que no ano passado. A verba do governo federal é destinada a 94 creches, 46 entidades de assistência ao idoso e 39 de auxílio a pessoas portadoras de deficiência.
Em todo o Paraná, estão catalogadas 2.300 entidades assistenciais. A maioria delas vive de recursos destinados pelo governo federal. Sabemos que a maioria das entidades assistenciais do Estado vive deste dinheiro, disse a assessora de imprensa da Secretaria Estadual da Criança, Elizabeth Klein. De acordo com ela, o corte destes recursos atinge folhas de pagamento e alimentação dos internos. Temos ciência que muitas destas instituições terão que fechar as portas por falta de recursos, disse.
A Secretária Estadual da Criança e Assuntos da Família, Fany Lerner, resolveu lançar uma política emergencial de assistência às instituições filantrópicas para contornar a crise. A política atuará em três áreas principais: revitalização de prédios antigos, capacitação de educadores para as creches e incentivo aos programas internos de geração de renda.
A primeira instituição é receber recursos para a implantação de um programa de auto-sustentação foi a APAE de Califórnia. Uma piscina foi colocada na entidade para terapia dos internos, mas nos finais-de-semana ela é usada pela comunidade local, que paga uma taxa pelo uso. A idéia é simples, mas está dando condições para que a instituição consiga angariar recursos para continuar o trabalho com as crianças excepcionais, afirmou a assessora.
Em Curitiba, a prefeitura também destina recursos para as entidades assistenciais que cuidam de crianças carentes. São repassados R$ 17,00 por criança para as 84 creches comunitárias da cidade. O município mantém ainda outras 127 creches oficiais.
Além do repasse de verbas, a prefeitura procura realizar convênios com a iniciativa privada para auxiliar as entidades assistenciais. Não temos recursos, mas podemos conseguir o apoio da iniciativa privada, disse a presidente da Fundação de Ação Social, Marina Taniguchi.
Mauro Frasson
Crise
Entidades assistenciais de Curitiba e região metropolitana enfrentam como podem a redução no repasse de verbas do governo federal. O Lar Leocádio José Correia, com 31 anos de atividades, está entre os mais atingidos pela falta de recursos


