O corte de um aditivo repassado pelo município pode comprometer o atendimento das unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatal e pediátrica do Hospital Evangélico (HE) de Londrina. A verba era repassada para os médicos intensivistas plantonistas como forma de reforçar o pagamento das internações via Sistema Único de Saúde (SUS). A direção do HE evita falar em fechamento das unidades, mas os plantonistas já se posicionaram por esta medida caso a situação não seja revertida.
O hospital tem oito leitos de UTI neo-natal e pediátrica e, junto com o Hospital Universitário (HU) que mantém 12 leitos dessas especialidades, é referência no atendimento de gestantes de risco. O atendimento real, entretanto, geralmente é maior do que o número de leitos oficiais. Durante a interdição das UTIs do HU, no ano passado, o HE chegou a atender com o dobro da capacidade.
O corte vai reduzir em mais da metade a remuneração dos plantonistas. Os intensivistas, cuja carga horária é de 12 horas, recebiam R$ 162 por plantão, independente do número de pacientes atendidos. Segundo a chefe da UTI pediátrica do HE, Ana Paula Pesilli, sem o aditivo a remuneração passará a R$ 6,4 a hora, o que equivale a R$ 76,80 por plantão.
Ana Paula afirma que os plantonistas já formalizaram um documento que avisa a direção do fechamento da UTI caso o corte ocorra. ''Não vale a pena estudar tanto, se especializar para prestar atendimento aqui se no PAI, que tem férias, 13º, um médico recebe R$ 23,60 a hora'', afirma.
O aditivo começou a ser repassado em 1996 e, segundo a diretora-administrativa do HE, Marisa Ferracin, foi cancelado na semana passada pela Secretaria de Saúde, que é o gestor do SUS em Londrina. ''Por enquanto não estamos falando em fechamento mas é público que o hospital passa por uma crise financeira e nesse momento não temos estrutura para viabilizar o atendimento sem o convênio'', afirma.
Segundo o secretário de saúde, Sílvio Fernandes, o convênio foi aditivado por conta da elevação do nível da UTI do HE junto ao SUS, que resultou em aumento da remuneração. A mudança de classe ocorreu em setembro do ano passado, quando o hospital passou do grau I para o III. Segundo ele, isso significa um aumento de diárias de R$ 87 para R$ 213 em números aproximados. ''Com isso não houve mais necessidade do aditivo'', argumenta.
O secretário concorda que o pagamento do SUS aos intensivistas não segue a remuneração de mercado mas alega que com o reajuste o hospital tem condições de gerir a diferença. ''O hospital tem condições de remunerar, cabe ao Evangélico negociar'', disse. O secretário afirmou também que o corte não pode comprometer o atendimento.
O HE vai tentar reverter a decisão junto ao Conselho Municipal de Saúde. ''Como a pauta da próxima reunião já foi fechada, vamos levar isso para primeira reunião de agosto'', afirma Marisa.

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