Corte de verba agrava situação de servidores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de julho de 1998
Sid Sauer 
A Prefeitura de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) não repassa há dois meses os recursos para que o Sindicato dos Servidores Municipais pague os convênios firmados com três supermercados da cidade. Com isso, os estabelecimentos devem suspender a venda aos funcionários da prefeitura na segunda-feira. A denúncia foi feita ontem pelo presidente do sindicato, Paulo Mendes da Silva. Não vamos trabalhar nem mais para a comida, protestou.
Segundo Silva, o último repasse da prefeitura foi feito no dia 10 de maio. Em média, o município repassava cerca de R$ 30 mil todos os meses para o sindicato, que pagava aos três mercados. Os servidores estão com oito folhas de pagamento para receber, incluindo quatro meses de 1996.
Quem ainda não está passando fome, agora vai passar, disse Silva. A prefeitura de Goioerê tem cerca de 550 funcionários, e 80 diaristas. Alguns estão há 10 semanas sem receber.
A crise na prefeitura começou em 1996, na gestão de José Paulo Novaes (PDT), e se arrasta até hoje, com o prefeito Vicente Okamoto (PSDB). Ontem, a prefeitura terminou de pagar os salários de março.
O sindicato já tentou o bloqueio das contas do município para o pagamento de salários, mas o pedido foi negado pela Justiça local. A Folha tentou falar com o prefeito Vicente Okamoto, mas recebeu a informação de que ele estava em Curitiba. Nenhum outro assessor estava na prefeitura, que só está atendendo das 8 às 12 horas.


