Corte de salário mobiliza grevistas
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
Os servidores em greve da Universidade Estadual de Londrina (UEL) decidiram em assembléia realizada na quarta-feira convidar o reitor Pedro Gordan para participar do próximo encontro da categoria, ainda sem data definida. Os servidores querem questionar o reitor se realmente haverá cortes de salários para os funcionários do Hospital Universitário (HU) e Hospital de Clínicas (HC) e de que forma isso será feito. A greve das universidades estaduais em Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Cascavel (Unioeste) completa hoje 159 dias.
O presidente da Associação dos Servidores Técnico-Administrativos da UEL (Assuel), Itamar Rodrigues Nascimento, antecipou que se a medida for adotada, os demais servidores da instituição poderão dividir o ônus com os companheiros. Eles pedirão que o desconto seja repartido entre todos, uma vez que a paralisação é unificada.
Outra proposta aprovada foi a elaboração de um manifesto que será entregue a todos os 78 membros dos Conselho Universitário da UEL, demonstrando o descontentamento da categoria com as decisões tomadas na reunião da última terça-feira. O Conselho acatou os atos executivos baixados por Gordan que exigiam a volta ao trabalho de 75% dos servidores da instituição, incluindo os lotados nos dois hospitais da UEL.
O juiz da 2ª Vara da Justiça Federal, em Londrina, Danilo Pereira Júnior, também irá ouvir Gordan e os integrantes do comando de greve numa audiência hoje à tarde. Ele quer saber a real situação de funcionamento da UEL depois do início da greve, em 17 de setembro, e o que vem sendo feito para amenizar os problemas gerados com a paralisação.
Pereira Júnior disse que manteve a audiência porque continua em vigor a medida liminar que obriga a universidade a tomar medidas para retomar suas atividades. Ele explicou que embora o Tribunal Regional Federal (TRF), em Porto Alegre, tenha cassado a liminar que determinava a volta ao trabalho de 75% dos servidores, o mesmo tribunal manteve a decisão de cobrar providências da administração da UEL.
Ontem também foi conhecida mais uma decisão do TRF. A desembargadora federal Marga Inge Barth Tessler indeferiu o agravo de instrumento interposto pelo Ministério Público Federal (MPF) em Londrina. O procurador Mário Ferreira Leite já havia conseguido a liminar que exigia a volta ao trabalho de 75% dos servidores da UEL, mas ingressou com outro pedido para que a Justiça determinasse à universidade que fornecesse aos formandos certidão ou documento equivalente capaz de garantir participação em cursos, exames ou concursos. Ele pedia ainda que a instituição desse início aos preparativos do vestibular e que o governo do Estado fosse citado para reiniciar as aulas em cinco dias, sob pena de multa diária de R$ 300 mil.


