Corte de recursos pode condenar HC
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quinta-feira, 19 de novembro de 1998
Anna Camanducaia 
O Hospital de Clínicas, em Curitiba, pode deixar de funcionar se houver cortes no orçamento dos hospitais universitários, segundo o vice-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Romulo Sandrini. Hoje, o HC já enfrenta dificuldades mesmo com o repasse regular. O dinheiro pago pelo SUS (R$ 40 milhões por ano) poderia manter o hospital se ele não precisasse usar parte desses recursos para o pagamento de 1.500 funcionários - que não estão na folha do MEC.
Segundo Sandrini, não há problemas de administração no HC. Nos últimos seis meses, a arrecadação mensal do hospital aumentou em R$ 600 mil e o número de atendimentos, em 10%. O HC faz 1 milhão de consultas e 10 mil internações por ano. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse terça-feira no Rio de Janeiro que o problema no atendimento de alguns hospitais universitários ocorre por má administração e pela redução no repasse do SUS por parte dos municípios. O orçamento dos hospitais universitários deve passar a ser administrado pelo Ministério da Saúde em 1999. Os recursos também serão enviados diretamente aos hospitais. Hoje, as verbas saem do Ministério da Educação e são distribuídas pelos municípios. Sandrini acredita que a mudança não será ruim se a característica de hospital-escola for mantida. Segundo ele, o hospital universitário se diferencia dos outros por realizar desde procedimentos mais simples até os de ponta, ter número menor de médicos e tempo maior de internação.
O HC recebe R$ 60 milhões por ano. O Sistema Único de Saúde (SUS) paga R$ 40 milhões pelos serviços que o hospital presta à população - 10% a 15% a menos do que o HC gasta. Muitos procedimentos não são cobertos totalmente pelo SUS. Um transplante de córnea custa R$ 1,5 milhão, mas o hospital recebe apenas R$ 400. O repasse por consulta não chega a R$ 3.
Outros procedimentos não são pagos nem parcialmente, como transplante de ossos e cirurgia de epilepsia. Por se tratar de um hospital público, esperávamos que todos os procedimentos fossem ressarcidos. O que ocorre é que ficamos com o ônus, diz o diretor geral do HC, Mitsuro Myaki. Parte dos recursospara manutenção e atendimento serve para pagar funcionários. Como o MEC não fez a reposição de funcionários que deixaram o hospital e não contratou outros que eram necessários para novos procedimentos, a fundação da universidade está tendo que pagar 1500 salários, afirma Sandrini. O MEC repassa anualmente R$ 20 milhões para o pagamento de 2 mil funcionários e ainda há um déficit de 350 profissionais.
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes) está negociando com parlamentares esta semana para evitar os cortes na Educação. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) pretende ao menos manter os R$ 290 milhões que recebe anualmente para manutenção e pagamento de funcionários.


