Corte de árvores revolta ecologistas
Edna Mendes
De Cornélio Procópio
O corte de árvores na Praça Getúlio Vargas, no centro de Jaguariaíva (118 km ao norte de Ponta Grossa), causou polêmica na cidade. O Movimento Ecológico Excursionista Capivari (Meeca) denuncia que a prefeitura cortou cerca de 30 árvores, inclusive uma da espécie canafístula com mais de 50 anos.
O prefeito Ademar Ferreira de Barros (PFL) desmente os ecologistas e afirma que foram cortadas apenas quatro árvores exóticas. A prefeitura tinha autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para efetuar o corte de nove árvores. A Meeca denunciou o caso à Polícia Civil e ao Ministério Público.
O presidente da Meeca, Luiz Carlos Deadle, disse que a prefeitura iniciou os cortes das árvores anteontem logo que o dia amanheceu e que quando os integrantes do movimento chegaram à praça só foi possível evitar o corte de pinheiros e araucárias. Fomos enganados pelo prefeito que havia afirmado anteriormente que apenas seriam feitas podas em algumas árvores para que a praça fosse remodelada. O que aconteceu foi uma verdadeira devastação no local, afirmou.
O ecologista disse que a praça é um patrimônio natural e público e que, por isso, o prefeito deveria ter feito um projeto para apreciação pública. Não somos contra a conservação da praça porque ela é histórica, mas não podemos admitir que ela seja destruída. Nós só queremos proteger esse patrimônio, frisou.
Deadle disse ainda que quando fotografava os cortes das árvores o prefeito lhe fez ameaças caso ele continuasse no local. Ele disse que se eu não me retirasse da praça eu iria levar uns petelecos. Depois ele mandou um funcionário da prefeitura para me intimidar, afirmou. Deadle registrou queixa por ameaça na delegacia local.
O prefeito desmente os ecologistas. Isso tudo é mentira. Não ameacei ninguém. Os dois ecologistas que tentaram impedir o corte das árvores são xiitas e demagogos. Cortamos as árvores porque era necessário, afirmou. Segundo o prefeito, foram cortadas quatro árvores das espécies pinus, grevílea e cipreste. São árvores que só serviam para deixar a praça escura. Ele disse ainda que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente autorizou o corte das árvores.
O superitendente regional da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, em Ponta Grossa, Luiz Eduardo Holzmann Araújo, responsável pelo escritório local do IAP, disse à Folha que no mês passado a prefeitura de Jaguariaíva enviou ofício ao órgão solicitando a autorização para o corte de três árvores de grevílea, três de ciprestes e três árvores de pinus. Autorizamos esses cortes por se tratar de árvores exóticas e em contrapartida a prefeitura se comprometeu em plantar 20 árvores de ipês e 20 de pau-brasil no local, informou.
Araújo assegurou que um técnico do IAP seguirá para Jaguariaíva nos próximos dias para vistoriar se a prefeitura cortou mais árvores do que as previstas, conforme denúncia dos ecologistas. Se a prefeitura não cumpriu o compromisso firmado ela será autuada por crime ambiental e multada, garantiu.
De acordo com informações do prefeito, o corte das árvores foi necessário para dar início ao projeto de revitalização da praça que vai ganhar um chafariz, novos bancos, luminárias e mudas de ipê e pau-brasil. A reinauguração da praça está prevista para o dia 16, às 20 horas. As obras custaram cerca de R$ 15 mil ao município.
O comerciante Luiz Carlos Pereira, 27 anos, disse à Folha, por telefone, que a remodelagem da praça é necessária para melhorar o aspecto da cidade, mas que na sua opinião, as árvores poderiam ser poupadas.





