Corte de árvores provoca protesto
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segunda-feira, 19 de março de 2001
Vânia MoreiraEnviada a Cianorte 
Vistorias técnicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Estadual de Maringá (UEM) decidirão o destino das 14 perobas-rosas existentes na Praça Olímpica, em Cianorte (80 quilômetros a leste de Umuarama). O município quer cortar as árvores centenárias, alegando que já estão condenadas e oferecem riscos à população, mas os ambientalistas são contra e prometem fazer protestos em defesa das perobas.
O Conselho do Meio Ambiente tem um laudo feito por técnicos da Secretaria da Agricultura e da Emater, com o qual pretendia solicitar autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para derrubar as árvores. Diante da polêmica, o Conselho e o promotor Joelson Luiz Pereira decidiram pedir mais dois laudos.
Segundo o secretário do Conselho, o secretário municipal da Agricultura e Meio Ambiente, Francisco Cascardo, o corte das perobas foi solicitado por moradores da Zona Quatro. Centenas de pessoas passam diariamente pela Praça Olímpica e temem que as árvores caiam, disse Cascardo.
A vistoria feita pela Seab e pela Emater atestou que a maioria das perobas da Praça Olímpica está condenada e oferece riscos à população. Apenas duas ainda estariam em boas condições e poderiam ser preservadas. As demais estão secando e apresentam galhos podres e troncos ocos. Podem realmente cair e causar estragos ou ferir alguém, disse o secretário.
Árvore nativa de madeira nobre e em risco de extinção, a peroba-rosa é considerada a árvore símbolo de Cianorte. Os exemplares espalhados nos 10 mil metros quadrados da Praça Olímpica foram preservadas pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP). Entretanto, a peroba depende da floresta e não consegue sobreviver muito tempo em áreas isoladas.
As árvores da praça já perderam a capacidade de se reproduzir e estão morrendo lentamente. Segundo Cascardo, os novos laudos serão feitos por técnicos da UEM e pelo engenheiro florestal Rudi Scheid, professor da UFPR.
O engenheiro e ambientalista Alcides Codolo diz que as perobas têm valor cultural e ambiental inestimável e deveriam ser preservadas de qualquer modo. Os riscos de acidente poderiam ser minimizados com projetos de suporte, como existe em árvores centenárias de Curitiba, que protegem as pessoas de uma possível queda da árvore.
Cascardo diz que é impossível sustentar as árvores. Se os novos laudos confirmarem o perigo, vamos autorizar o corte. Joelson Pereira também afirma que não poderá se manifestar contra se as plantas oferecerem realmente risco à população. Não há previsão de quando as novas vistorias serão feitas.


