Corte de árvores gera polêmica
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A ameaça de corte de 17 árvores em uma área do Conjunto Vivendas do Arvoredo (Zona Sul de Londrina) causou polêmica, ontem, envolvendo moradores do bairro, funcionários da construtora que teria encomendado a poda e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). Alguns vizinhos garantem que a área se trata de praça pública, embora o terreno já esteja loteado. A Sema diz que não autorizou o corte das espécies.
A denúncia partiu da professora universitária Dalva Rausch, moradora do Vivendas há 25 anos. Foi ela quem plantou boa parte das espécies, incluindo mangueiras, cibipirunas, ipês, abacateiros e ameixeiras. Dalva contou que, na manhã de ontem, foi surpreendida pela presença de funcionários prontos para cortar as árvores. Indignada, não permitiu que eles cumprissem a tarefa.
''Isso é uma praça pública, está registrado na escritura da minha casa. A prefeitura vendeu a área para particulares durante a gestão do (Antônio) Belinati, o que é ilegal. Já acabaram com parte de uma horta coletiva que estava plantada no terreno e agora querem cortar árvores que têm entre 20 e 25 anos'', protestou.
Outra moradora vizinha à área, a também professora Maria Del Carmen Calvente, afirmou que testemunhou a marcação das árvores ''condenadas'' com tinta, no início da semana passada, e entrou em contato com a Sema. ''Eles ficaram de investigar o caso. O terreno tem função de praça pública, imagine o calor que vai ficar nessa rua se acabarem com todas as árvores'', alegou.
Os funcionários da construtora MSL, que estão preparando o terreno a serviço da empresa P.S. Loteamento, apresentaram à reportagem da Folha uma autorização expedida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para cortar 17 árvores. O chefe regional do IAP, Ney Paulo, não se lembrava do caso, mas afirmou que o órgão tem competência para autorizar o transporte de madeira, cabendo à Sema dar o aval para o corte de árvores.
O diretor técnico da Sema, Marcos Vinicius Tersariol, estranhou o fato de o órgão municipal não ter sido consultado nem pela loteadora, nem pelo próprio IAP. ''Se o IAP emitiu a autorização sem antes o pedido ter passado por nós, não está correto. É uma área urbana e qualquer ação tem que passar pelo crivo do município.''
Humberto Lanziotti, dono da imobiliária responsável pela venda dos lotes no terreno em questão, declarou que a área nunca foi pública e que todos os registros de propriedade estão regulares. A informação foi confirmada pela Sema e pela diretoria de patrimônio da prefeitura. ''Nunca foi praça pública, isso é um equívoco dos moradores. Eles estão revoltados porque plantaram árvores na área, mas precisamos cortá-las para dar lugar ao loteamento. Você não pode impedir o crescimento da cidade'', afirmou.
Segundo o imobiliarista, apenas três dos 14 lotes do terreno ainda não foram vendidos. Ele destacou que até uma moradora da vizinhança já adquiriu um dos lotes. Quanto à falta de autorização da Sema para o corte das espécies, Lanziotti informou que desconhecia o fato e garantiu que iria regularizar a situação se necessário. A professora Dalva Rausch disse que irá ingressar na Justiça, junto a outros moradores, com uma ação popular contra a utilização particular da área que considera pública.


