Mário CésarSem acordoMoradores perto de árvores derrubadas: eles impediram corte de outras árvores e criticaram diretorDiretor de escola
ordenou derrubada
para construir
muro de segurançaRevoltados com o abate de três árvores (paineira, santa bárbara e eucalipto), ontem de manhã, moradores das proximidades do colégio estadual Carlos de Almeida, no conjunto Lindóia (zona leste) conseguiram impedir que outras árvores fossem derrubadas. Os vizinhos acionaram a Autarquia do Meio Ambiente (AMA). Uma equipe esteve no local e, segundo informou o diretor técnico Mauro Maggi, a direção da escola, que determinou o abate, seria autuada. O valor da multa varia entre R$ 30,00 e R$ 900,00.
O diretor da escola, José Kennedy Fajardo, que esteve fora do colégio no período da manhã, disse, em entrevista por telefone, que tinha autorização da AMA para derrubar as árvores. Funcionários da secretaria do colégio apresentaram cópia de um documento assinado pelo ex-diretor-presidente da autarquia, Hélio Dutra de Souza. A resposta ao ofício requerendo o abate de eucaliptos existentes nos fundos do colégio foi enviada no dia 5 de julho do ano passado.
Na época, a AMA fez um laudo e executou o abate de 10 eucaliptos que apresentavam risco para a escola e, em resposta ao ofício, informava que, no momento, não considerava urgente o abate das árvores que restaram. ‘‘Propomos à escola que, caso julgue necessária a retirada, autorizamos a mesma a fazê-la por conta, visto que a AMA não tem condições de realizar o serviço novamente em caráter emergencial’’, diz o documento.
Com essa autorização, e após ter se reunido duas vezes com pais de alunos, que pediam a construção do muro nos fundos do colégio para garantir a segurança das crianças, o diretor Fajardo contratou os serviços de uma madeireira. A intenção era derrubar as árvores - que estão próximas ao local onde o diretor pretende erguer o muro - e utilizar o dinheiro da venda da madeira para a construção.
‘‘A escola não tem autorização para derrubar as árvores e elas não apresentam risco algum para o colégio. Que exemplo esse diretor quer dar derrubando árvores sadias?’, questionou o morador Joel Garcia. ‘‘Essas árvores são a beleza do conjunto. Temos que cuidar delas’’, comentou Amélia Rossi Polaquini. ‘‘Vamos pedir para a Secretaria de Educação dar aulas de ecologia para o diretor’’, sugeriu Garcia.
Favorável ao abate das árvores, a presidente da Associação de Moradores do bairro, Josefa Teodoro, disse que a construção do muro é necessária para garantir a segurança aos alunos. ‘‘Tem um pessoal que vem cheirar cola, fumar maconha aqui no campinho. A escola precisa fazer o muro.’’
Independente da necessidade ou não da obra, o diretor da AMA, Mauro Maggi, afirmou que, por lei municipal, nenhuma árvore pode ser abatida sem autorização da autarquia. Ele explicou que a direção da escola deveria apresentar um projeto, expondo os motivos da ação e a proposta de reposição das árvores. ‘‘Sem isso, não pode derrubar nada.’’
Depois de tanta confusão, o madeireiro Francisco Brenzal acabou desistindo do trabalho. ‘‘Nem com autorização da AMA não quero mais saber de ficar com essas árvores.’’

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