Hermínio Marques Branco, 78 anos, não aguenta mais esperar. Desde novembro do ano passado aguarda a erradicação da uma árvore que invade a frente de seu imóvel, enche a calha com folhas, quebra a calçada e ameaça a rede elétrica. Com uma trena na mão, ele mede: 70 centímetros separam a árvore do poste. ''Eu não quero ficar sem árvore aqui, só quero que esta seja removida para que eu possa plantar uma mais adequada'', explica.
Assim como ele, cerca de 600 pessoas aguardam a erradicação de uma árvore em frente à sua residência ou comércio em Londrina. Outras mil esperam pelo serviço de poda e quase 600 pela emissão de laudos técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), responsável pelo serviço. Os atrasos acontecem, principalmente, por conta do vencimento do contrato da empresa que terceirizava o trabalho.
O gerente do setor de Áreas Verdes da Secretaria, o biólogo Paulo Dolibaina, explica que desde outubro de 2005, quando venceu o contrato com a empresa Visatec, que realizava o trabalho, a equipe da Sema só está executando os casos mais graves; aqueles em que as árvores ameaçam, de alguma forma, o cidadão. ''Às vezes a árvore está velha, foi emitido o laudo de erradicação, mas ela não ameaça cair, então damos preferência a outras.'' No caso de Marques Branco, o perigo dos galhos caírem sobre a rede elétrica deve ser resolvido pela Copel, de acordo com orientação do biólogo.
A Sema tem apenas três equipes para atender todo o município. Elas dão conta de quase 250 atendimentos por mês, sendo que dos oito funcionários de cada grupo, só dois são capacitados para operar as moto-serras. O diretor operacional da Sema, Marcos Vinicius Tersariol, explica que, além da falta da empresa terceirizada, o volume de trabalho também aumentou, por isso o serviço está tão atrasado. ''Depois dos vendavais de fevereiro, nosso trabalho aumentou muito. As pessoas ficaram com medo das árvores caírem sobre as casas delas'', justifica.
O secretário municipal de Ambiente, Cleidival Fruzeri, garante que o edital de licitação para contratação de uma empresa deve sair ainda neste mês. Ele reconhece que a licitação já deveria ter sido feita, mas afirma que encaminhou a documentação no tempo adequado para a Secretaria de Gestão Pública. ''A Sema tem a demanda, mas não é quem libera o recurso, então nós temos que atender com a equipe que disponibilizamos.''
Marcos Branco afirma que entende a situação mas reclama o seu direito: ''Eu pago impostos, mantenho meu imóvel bem conservado, procuro cumprir com a minha parte, mas não sei o que acontece. Onde está o serviço a que tenho direito?''

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