Uma revendedora de carros, na Avenida Higienópolis, área central de Londrina, foi multada anteontem pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) por derrubar uma árvore sem autorização do órgão. Um morador da região fez a denúncia para a Folha porque suspeitou da derrubada estar ocorrendo no domingo. O presidente da AMA, Luiz Eduardo Cheida, esteve no local, anteontem, enquanto a sibipiruna era cortada por pessoas contratadas pela empresa.

A empresa, segundo o engenheiro Vilson Rodrigues da Silva, reponsável pela reforma da loja, havia solicitado a erradicação da árvore no dia 17 de outubro porque ela estava tomada por cupins. O engenheiro temia que ela acabasse caindo. Fiscais da AMA, de acordo com Silva, haviam tratado o cupinzeiro no início da semana passada e fariam uma nova vistoria na sexta-feira, quando deveria ser emitida a autorização para a derrubada.

Silva informou ainda que, como tinha pressa pela retirada da árvore, ele havia procurado pelo diretor da autarquia, João Mendonça, por diversas vezes. No sábado, por telefone, Silva teria comunicado ao diretor a derrubada. ''A árvore não seria derrubada se não representasse perigo'', comentou.

Mendonça mostrou o laudo da vistoria emitido pelos fiscais da AMA e disse que houve precipitação por parte da empresa. A erradicação só poderia ser feita se tivessem a permissão da autarquia em mãos. Aceitando sugestão do engenheiro, a AMA vistoriou os galhos onde eles foram jogados para se certificar de que os cupins estavam mortos e havia o comprometimento da árvore. Após a vistoria, o fiscal da autarquia confirmou o comprometimento. Mesmo assim ,ele notificou a empresa, que tem 20 dias para apresentar a defesa.

Uma moradora no Parque Residencial Tucano I, zona sul da cidade, denuncia que em seu bairro o corte irregular de grandes árvores já se tornou constante. Só este ano, nas proximidades de sua casa, foram derrubadas pelo menos cinco. A última delas, uma espatódea, foi cortada no último sábado pelo proprietário de um terreno, que depois foi capinado e cercado com tapumes. Ela já travou uma verdadeira ''guerra'' com vizinhos em defesa das árvores e reclama do descaso da AMA nas denúncias que já fez.

A autarquia, por sua vez, se justifica dizendo que as denúncias de erradicação irregular de árvores chegam com frequência. As alegações são as mais variadas possíveis como a sujeira provocada pelas folhas, por cobrirem a fachada de lojas, entre tantas. Quando a irregularidade está ocorrendo, os fiscais vão até o local, autuam e aplicam multas nos infratores. Mas há muitos casos que não chegam ao conhecimento da autarquia.

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