Londrina

Milton DóriaDesconsoloConstantino Camolezi ao lado do que sobrou da mangueira plantada por ele em 1989: ‘Isso é um absurdo’- Quem foi o louco que fez isso? Cadê nossas árvores? Meu Deus, olha só o que fizeram com nossas plantas...
Os professores Ramon Kaimen, Célia Ferreira e José Augusto Pinho Sperandio, todos moradores no residencial Morada do Sol, localizado na avenida madre Leônia Milito, zona sul de Londrina, estão inconformados com o corte de seis árvores frutíferas cultivadas numa área do condomínio. Os moradores não se conformavam com a decisão, segundo afirmam, unilateral do síndico Gervásio Vieira. ‘‘Não fomos consultados sobre isso, não foi feita nenhuma assembléia. É um absurdo’’, protestam os moradores.
Mais revoltado ainda com o corte das árvores, ocorrido quinta-feira à tarde, ficou o representante comercial Constantino Camolezzi Filho, morador há 12 anos no residencial e responsável pelo plantio das plantas abatidas. Ele comprou, em 1989, numa chácara de Rolândia, mudas de mangueira, amoreira, poncã, acerola e de pinha, plantadas numa área do condomínio. Tempos depois o espaço na lateral dos blocos ganhou pé de limão, gabiroba, goiabeira e uma macieira.
O minipomar acabou se transformando no espaço preferido das crianças do condomínio. E também dos pássaros, na época em que surgiam os frutos. ‘‘A gente estava com o pé de acerola, manga e amora carregados. As frutas atraíam sabiá-coleira e sanhaçu’’, lembra.
O morador disse que o síndico chegou a fazer contato com ele dizendo que havia necessidade de podar e remover algumas árvores. ‘‘Ele disse que as árvores estavam prejudicando a grama e que o espaço estava saturado’’. Constantino Filho chega a admitir a necessidade de se remover pelo menos a amoreira que tomava espaço maior. ‘‘Mas nunca acabar com seis árvores de uma vez. Isso é um absurdo e ainda mais partindo de engenheiros agronomos’’, diz, referindo-se à profissão do síndico e do vice-síndico.
A professora Célia Ferreira comentou que quase todos os moradores utilizavam os limões cultivados no ‘‘quintal’’. O professor José Augusto Pinho Sperandio também criticou o corte das árvores. ‘‘É uma ignorância, uma boçalidade derrubar árvores, ainda mais carregadas de frutos como estava a mangueira.’’ O morador Ramon Kaimen resume: ‘‘Ele não gosta de verde. Substitui grama por cimento.’’
Constantino Filho, que também possui pássaros - mantém as aves em gaiolas penduradas na garagem do residencial - diz que seus filhos tentaram impedir o corte das árvores. Um deles chegou a replantar uma muda de goiabeira que havia sido arrancada. Desolado com a atitude do síndico, ele comenta que em breve poderá plantar suas árvores sem o risco de vê-las depredadas. ‘‘Comprei uma chácara e vou me mudar para lᒒ, comentou. O professor e dentista José Sperandio emendou: ‘‘Eu já não tenho a mesma sorte’’.

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