Maurício Borges
Enviado a Bom Sucesso
Revoltados com a situação a que estão expostos há 45 dias, com alojamento precário, alimentação ruim, e baixos salários, 60 cortadores de cana que vieram de Alagoas para trabalhar para uma cooperativa saíram ontem em passeata pela BR-369, em Bom Sucesso (42 km a sudoeste de Apucarana). Eles queriam caminhar da Fazenda Santa Rita até o escritório da Cooperativa Agrícola dos Produtores de Cana do Vale do Ivaí (Cooperval), em Jandaia do Sul, num trajeto de 18 quilômetros, para exigir a rescisão de seus contratos e garantir o retorno a Alagoas.
A passeata durou apenas uma hora e meia e terminou próximo à Vila Rural de Bom Sucesso, depois que diretores da Cooperval interceptaram os trabalhadores e conseguiram convencê-los a retornar à Fazenda Santa Rita. A empresa comprometeu-se a pagar no prazo de quatro dias os valores que os cortadores de cana têm a receber e ainda arcar com o custo de transporte e alimentação para que eles retornem às cidades de Murici, União e Branquinha, no interior de Alagoas.
Dos 286 trabalhadores alagoanos que ainda permanecem na região - em maio eram 320 - prestando serviço à usina de álcool e açúcar da cooperativa, apenas 60 manifestaram desejo de voltar para as cidades de origem. A maioria se diz frustrada com o salário e as condições de vida que levam na fazenda da Cooperval.
Jorge Vieira da Silva, 42 anos, e José Roberto da Silva Filho, 45 anos, disseram ontem que suas famílias estão passando necessidade em Alagoas. Ambos manifestaram frustração porque esperavam ter um salário melhor no Paraná. ‘‘Para ganhar R$ 100,00, livre de refeições, eu não precisa sair de Alagoas’’, afirmou o trabalhador José Roberto da Silva.
Acordo A manifestação dos trabalhadores aconteceu dois dias depois da audiência mantida por diretores Cooperval com promotores da Procuradoria Regional do Trabalho, em Curitiba. No encontro, foi firmado um termo de compromisso, no qual a usina obriga-se a cumprir nove itens, no prazo de 10 dias, solucionando várias irregularidades a que os trabalhadores estão expostos.
Entre as exigências constam a adequação dos alojamentos com sanitários internos e espaço suficiente para os trabalhadores; fornecimento de roupas de frio e devolução de documentos pessoias e carteiras de trabalho. Pelo acordo, a Cooperval também deve incrementar a assistência médica e oferecer uma alimentação mais adequada e nutritiva aos cortadores de cana.
Para cada irregularidade não corrigida a empresa está sujeita a uma multa diária de 1.000 ufirs (R$ 977,00) conforme decisão da Procuradoria Regional do Trabalho que, após vistoria no local havia requerido a interdição imediata dos alojamentos pela Delegacia Regional do Trabalho.

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