Cortador de grama provoca confusão em ônibus
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quarta-feira, 11 de dezembro de 1996
Da Redação 
A dona-de-casa e jardineira Sirley Domingos Gabriel, 37 anos, ficou indignada na tarde da última sexta-feira, quando teria sido desacatada publicamente dentro de um ônibus da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), a caminho do trabalho.
Ela contou que, há cerca de cinco anos, faz serviços de jardinagem para empresas e residências. Na tarde da última sexta, pegou o coletivo na avenida Robert Koch, no jardim Pérola (zona leste de Londrina), levando junto a sua máquina de cortar grama.
Ela diz que o transporte do equipamento desagradou o motorista, que queria proibir a entrada da máquina. O fato aconteceu por volta das 16h30. Eu disse ao motorista que o cortador era o meu ganha-pão. Só assim consegui entrar no ônibus, contou Sirley Gabriel. Segundo ela, que tem quatro filhos menores, o sustento da família vem do serviço de jardinagem.
Quando tudo parecia um pequeno mal entendido, ela se surpreendeu com a reação do motorista, que alguns pontos depois mandou que ela descesse. Ele parou o ônibus e disse que era para eu tirar aquela porcaria, se referindo à minha máquina, conta a jardineira. Sirley diz que o motorista teria se irritado também com o fato de que alguns passageiros idosos reclamaram que a máquina ocupava o lugar reservado para eles. Com a confusão, a jardineira conta que acabou descendo e deixando o equipamento no ônibus.
Segundo Sirley Gabriel, a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) autoriza o transporte da máquina. A companhia teria informado a ela que a restrição ocorre somente com relação a transporte de botijão de gás e de aparelhos de televisão.
O diretor da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Manoel Lopes, estranhou que a passageira tenha descido do ônibus, deixando a máquina seguir viagem. Manoel Lopes informou também que os motoristas são treinados e, por isso, costumam tratar bem os passageiros.
O diretor da empresa acha que o ideal seria uma normatização para o transporte de equipamentos pelos passageiros e considerou perigoso levar, dentro do ônibus, uma máquina de cortar grama. O equipamento possui lâminas. Até o final da semana passada o setor de tráfego da empresa estava à procura de Shirley para entregar o equipamento.
O motorista contou à direção da empresa que apenas comunicou à passageira sobre o risco de carregar o cortador de grama. Ela teria insistido e acabou levando o equipamento para o interior do ônibus. Outros passageiros reclamaram do desconforto, gerando uma situação constrangedora. A dona-de-casa desceu do ônibus deixando o equipamento sob a responsabilidade da Grande Londrina.
Na Comurb, a assessoria de imprensa da companhia informou que não existe uma legislação específica sobre o transporte de bagagens, embora o artigo 4, do Decreto 288, de abril deste ano, estipule normas de fiscalização para o sistema de transporte.
De acordo com o decreto, é proibido o tranporte de animais, pessoas embriagadas, produtos inflamáveis e explosivos. Ainda de acordo com a Comurb, cabe à concessionária fazer a orientação dos funcionários, no sentido de garantir a segurança aos passageiros.


