Nos Estados Unidos, onde o terceiro setor arrecadou, apenas em 2008, US$ 514 bilhões em doações de indivíduos e empresas, também sempre vai haver alguém pensando em levar para casa ilicitamente alguns dólares a mais. De acordo com a Associação de Investigadores de Fraude, organizações privadas, tenham ou não fins lucrativos, perdem em média 5% de sua receita anual com fraudes. Embora os números sejam iguais, Allan Bachmann, gerente de educação da entidade, diz que, nos EUA, as instituições sem fins lucrativos acabam tendo melhor fama. ''É racional alguém confiar mais numa organização que em outra? Não. Mas isso acontece.''
Uma das diferenças mais importantes entre as legislações dos dois países tem a ver com a transparência. Nos EUA, o formulário entregue todos os anos pelas ONGs à Receita Federal é de acesso público. Mas se o cidadão achar o documento complexo demais, pode recorrer a instituições como o Charity Navigator ou o Guidestar, que compilam e analisam esses dados para avaliar a situação financeira das ONGs.
É o exato oposto do que ocorre no Brasil, onde até mesmo as autoridades têm dificuldades para acessar os dados das instituições sem fins lucrativos. ''Quando começamos uma investigação, pedimos para a entidade assinar uma autorização de quebra do sigilo fiscal e tributário. Mas, se a instituição não quiser cooperar, só temos acesso a isso por via judicial'', explica a promotora Maria Natalina Santarosa, do Centro de Apoio às Promotorias de Fundações e Terceiro Setor do Ministério Público do Paraná.(R.C.F.)

SAIBA MAIS

- 541 Oscips paranaenses estão registradas no MJ.
- 98 dessas prestaram contas em 2009.
- 21 declararam receita anual superior a R$ 1 milhão.
- R$ 149,69 milhões foram movimentados no ano passado pelas Oscips 'milionárias'.
- 63,27% desse montante saiu dos cofres públicos.

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