Corrupção na Comurb continua, diz Alonso
Lino Ramos
De Londrina
O ex-diretor-administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso de Oliveira, voltou a responsabilizar o prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), pela corrupção na administração municipal. E afirmou, em depoimento prestado ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura o caso, que continuam as irregularidades na Comurb. As declarações, que duraram cerca de uma hora, foram acompanhadas por aproximadamente 50 pessoas. Doze policiais militares permaneceram na Câmara a pedido do declarante.
Alonso acusou a direção da Comurb de dar sequência ao pagamento de contratos irregulares. Ele entregou à CEI uma pasta com diversos depoimentos prestados ao Ministério Público (MP) e cópias de contratos supostamente irregulares assinados pelo prefeito.
De acordo com Alonso, a Comurb mantém os pagamentos às empresas Tâmara e Principal, que vêm sendo investigadas pelo MP. Ele afirmou que, após iniciadas as investigações pelo MP, as empresas receberam mais R$ 600 mil. Segundo ele, os promotores estão investigando um pagamento de R$ 310 mil feito pela Comurb a uma empresa de publicidade de Curitiba. O promotor Cláudio Esteves confirmou que o contrato está sendo investigado.
Procurado pela Folha, o diretor da Comurb, Celso Soares da Costa, disse que não havia tomado conhecimento das acusações feitas por Alonso, mas que pretende mover um processo contra ele. Costa afirmou que todos os pagamentos feitos pela Comurb são legais pois se referem a serviços prestados e que o contrato com a Z Publicidade já foi enviado ao MP.
Costa afirmou que os contratos citados por Alonso foram assinados na época em que este era diretor da Comurb. Não posso dizer se houve superfaturamento. Sobre os contratos com a Tâmara e a Principal, Costa disse que os pagamentos estão atrasados há cinco meses e existe ameaça de rescisão. São acusações sem fundamento de uma pessoa desesperada por aquilo que fez no passado. Nossa gestão deve estar incomodando muito a ele, rebateu Costa.
Eduardo Alonso afirmou à CEI que as irregularidades já comprovadas pelo Ministério Público eram de pleno conhecimento do prefeito Belinati, que determinou aos secretários municipais que obedecessem as ordens do ex-secretário de governo, Gino Azzolini Neto. Ele era a pessoa mais importante para levantar dinheiro e montou um esquema de arrecadação de recursos em todas os órgãos da administração. O prefeito determinou que o Gino seria o administrador da prefeitura e determinou que se cumprissem as ordens como se fosse dele (Belinati), disse Alonso.
Os contratos irregulares eram pagos com recursos do Fundo Municipal de Urbanização, de responsabilidade da administração direta. Pelo levantamento apresentado pela prefeitura à Câmara de Vereadores, o fundo recebeu R$ 22,9 milhões das verbas referentes à venda das ações da Sercomtel.
Ainda segundo Alonso, Azzolini Neto coordenou a campanha do governador Jaime Lerner (PFL) na região de Londrina e o empresário Cassemiro Zavierucha (conhecido como Carlos Júnior) assumiu a campanha do deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSB). O Carlos Júnior entregou R$ 2 milhões para a campanha do Antonio Carlos. Segundo Alonso, o dinheiro foi obtido com os contratos irregulares. O ex-diretor acusou o ex-secretário de Governo, Wilson Mandelli (que substituiu Azzolini Neto) de ser um marionete de Carlos Júnior.
Entre os documentos entregues ao Ministério Público pelo ex-diretor da Comurb estão recibos de despesas da última campanha eleitoral. Os recibos referem-se aos gastos feitos em um dos comitês de campanha do então candidato a deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSB), coordenado pelo ex-diretor.
O dinheiro para estas despesas, segundo declarou Eduardo Alonso no Ministério Público, teriam saído da própria Comurb. São centenas de notas, com valores que vão de R$ 10,00 a R$ 10 mil.
Após o depoimento de ontem na CEI que investiga o caso AMA-Comurb, Alonso disse que essas despesas totalizariam entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões. As notas agora vão passar por perícia da auditoria do Ministério Público. O promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais, não quis dar detalhes sobre o assunto mas confirmou o recebimento dos documentos.
Alonso disse ainda que viu o irmão do deputado federal Alex Canziani, Ivan Canziani, recebendo R$ 80 mil de um empresário de Curitiba, que também prestou serviços à Comurb.





