Corro mais risco de ser assaltado do que morrer atropelado
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quinta-feira, 05 de março de 2009
Caroline Vicentini<BR> Reportagem Local 
Em Londrina, o tráfego nas rodovias também é intenso e de alta velocidade. Mesmo assim, pedestres continuam ignorando as passarelas construídas em vários pontos. A reportagem esteve nas passarelas da PR-445 (saída para Curitiba) e da BR-369, na Vila Yara (Zona Leste) e flagrou crianças, adultos e idosos arriscando-se entre carros, motos e caminhões.
Aguardando há alguns minutos para atravessar a pista, a dona de casa Débora Borba raramente utiliza a passarela da BR-369. É muito comprida. Olha o tamanho disso aqui. É difícil encará-la após um dia cansativo, justifica. Débora garante que é cuidadosa; mesmo assim conhece pessoas que morreram atropeladas quando atravessavam pelo local. O caminhoneiro Reinaldo José dos Santos também arriscava-se a atravessar pela rodovia. A passarela é muito perigosa. Corro muito mais risco de ser assaltado do que morrer atropelado, argumenta. A tela de proteção chegou a ser recortada em vários pontos pelos pedestres.
Com a filha no carrinho, a dona de casa Valdereis Camila Alves atravessava a rodovia pela passarela. Se estou com a minha filha utilizo a passarela. Penso primeiro nela. Já quando estou sozinha atravesso pela rodovia, confessa. Segundo Valdereis, a construção é utilizada por assaltantes e usuários de drogas. Os ladrões escondem-se na proteção utilizada para fixar o outdoor de propaganda e quando a pessoa passa dão voz de assalto, comenta. A reportagem constatou sujeira, cacos de vidro, muitas bitucas de cigarro e pichações nas paredes das passarelas.
Londrina e região possuem nove pontos onde estão instaladas as passarelas. Com exceção da passarela da PR-445, na saída de Curitiba (administrada pelo Departamento de Estradas de Rodagem - DER), a instalação, limpeza, pintura e manutenção das outras é de responsabilidade da Concessionária Econorte, que administra o setor desde 1997. A reportagem da FOLHA entrou em contato diversas vezes com a concessionária, mas não obteve retorno.
Para incentivar a utilização destas construções, a Econorte realiza um trabalho com parceiros na divulgação de cartilhas em escolas e junto da população, onde ressalta a necessidade da travessia por estas construções.


