Aproximadamente um terço dos contribuintes inadimplentes com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 1996 compareceu ontem à Prefeitura Municipal de Londrina na tentativa de saldar ou parcelar suas dívidas. Até as 14 horas de ontem, 650 contribuintes já haviam sido atendidos e a expectativa da Secretaria Municipal de Fazenda era atingir pelo menos 1.100 dos 3.460 inadimplentes. Como houve intensa fila durante todo o dia, o expediente nos guichês seguiu até as 20 horas.

O balanço oficial do plantão deverá ser fechado somente hoje. O plantão de renegociação realizado na quarta-feira arrecadou R$ 230 mil. A dívida total dos munícipes com o IPTU de 1996 era de R$ 2,9 milhões. As ações para execução judicial dos inadimplentes deverão ser ajuizadas hoje bem cedo, por volta das 7h30. Segundo o secretário municipal de Fazenda, Paulo Bernado, não há possibilidade de nova prorrogação de prazo, já que hoje é o último dia útil do ano e último prazo para a execução. Ele considerou como satisfatório o movimento de ontem.

Já os inadimplentes apoiaram a prorrogação do prazo mas não deixaram de reclamar. A funcionária pública Claudenice Simões Almeida, 31 anos, estava na fila para tentar renegociar sua dívida acumulada desde 1995, que ultrapassava os R$ 300,00. ''Cheguei a parcelar há dois anos, mas não consegui pagar as parcelas de mais de R$ 47,00'', alegou a moradora do Jardim Jesual (zona leste). Com o marido desempregado e dois filhos pequenos, ela esperava conseguir uma renegociação justa, ''senão eles irão executar''.

A aposentada Maria Natalina Nogueira dos Santos, de 59 anos, atrasou o imposto entre 1996 e 2001. ''Por eu ser viúva, tinha isenção até 1993. Depois mudou tudo, eu fui deixando e não tive mais condições de pagar'', afirmou. A dívida com o imóvel que possui no Jardim Castelo (zona leste), segundo ela, ultrapassava os R$ 2 mil.

Já o guarda noturno Aparecido Antonio dos Santos, 52 anos, que mora no Distrito de Irerê (zona sul) estava na fila para protestar. Ele mostrou recibos à reportagem que comprovavam o pagamento do IPTU de 1995 e 1996. Mesmo assim, ele foi incluido na lista de inadimplentes. ''Recebi a carta há alguns meses, mas fui deixando e hoje (ontem) tive que vir até a prefeitura e enfrentar fila para limpar meu nome'', disse.

O procurador-geral do Município, Carlos Scalassara, comentou que a medida foi boa tanto para os contribuintes inadimplentes, ''que puderam regularizar sua situação'', como também para a prefeitura, ''que conseguiu um reforço de caixa''.

mockup