Policiais do 7º Distrito prenderam anteontem em Curitiba, dois corretores que estariam aplicando golpes comprando ações da Telebrás abaixo do preço de mercado para renegociá-las nas bolsas de valores. Segundo a polícia, Cláudia Conde Machado e Clemente José Iglesias foram presos em flagrante quando compravam por R$ 1 mil, ações de Gelir de Souza no valor de R$ 7 mil.
Os dois foram indiciados por estelionato e liberados ontem de madrugada, por decisão de Rui Bacelar, juiz de plantão da Central de Inquéritos, e vão responder o processo em liberdade.
Segundo o delegado do 7º Distrito, Adão Edson Rolim, os corretores trabalham para a MBA Empreendimentos, empresa com sede na Rua Visconde de Nacar nº 1.505, 7º andar, salas 704 e 705, em Curitiba, de propriedade de Márcia Beatriz Buhrer e Cléria Regina Buhrer. Rolim diz que quem abordava as vítimas era Mário Jorge, gerente da empresa, com sobrenome ainda ignorado pela polícia.
Há dois meses, o gerente teria procurado Gelir de Souza e oferencido R$ 1 mil pelas ações de sua linha telefônica. Na ocasião, o corretor alegava, segundo o delegado, que as ações seriam incluídas ‘‘na dívida ativa’’ da Telebrás e ficariam indisponíveis, caso não fossem vendidas rapidamente. Gelir desconfiou da conversa, procurou a Telepar e descobriu que suas ações valiam R$ 7 mil.
Gelir procurou então a polícia, que armou o flagrante e prendeu os dois corretores quando a vítima assinava procuração transferindo as ações. A procuração foi emitida em nome de Marilisa Bernet e Raul Mortin, que negociavam as ações na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A polícia ainda não sabe se o mesmo golpe foi aplicado em outras pessoas e está convocando eventuais vítimas para incluir novas denúncias no inquérito.
O advogado da MBA, Paulo Henrique Rocha Loures, confirma que a empresa fez oferta de R$ 1 mil pelas ações de Gelir, mas nega que os corretores tenham tentado enganá-la. ‘‘A pessoa vende pelo valor que quiser. Não houve ardil’’, diz alegando que as ações valem de R$ 3 mil a R$ 4 mil e não R$ 7 mil como afirma a polícia.

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