Corretor tinha R$ 900 do russo Kusma
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Lúcio Horta Londrina 
A Polícia Civil de Cambé apresentou ontem à noite o corretor de carros Vanderlei Soares, 32 anos, conhecido como Vagalume, acusado de participação na morte do agricultor russo Kusma Ovchinnikov, 36 anos, e o filho dele, Sava, de dois anos e meio. Soares foi apontado pelo comerciante Jairton Silva Aleixo, preso na última sexta-feira também por participação no crime, como a pessoa que teria contratado os ladrões que assaltaram e mataram Kusma e Java. Junto com ele, estavam R$ 900 roubados do russo na noite da última quinta-feira
Vanderlei Soares declarou ao delegado Salmen Nasser - que preside o inquérito - que na mesma noite do crime (quinta-feira), por volta das 20h30, Aleixo o teria procurado, numa praça da favela Nossa Senhora da Paz (zona oeste), propondo o assalto. Disse ainda que nessa mesma hora apareceram - por acaso - dois conhecidos de vista, que ele conhece apenas por Reis e Maringá. Os dois teriam se interessado pelo negócio, aceitado a proposta, e saíram com Aleixo em direção ao posto Gran Via, na avenida Tiradentes. Soares disse que não quis participar do assalto e foi para casa. Mas acrescentou que haveria ainda uma terceira pessoa, dona de um automóvel Passat, envolvida na trama e que teria praticado o assalto junto com Reis e Maringá. Soares não soube - ou não quis - explicar quem seria essa pessoa.
Por volta das 23 horas, diz Soares, Reis e Maringá teriam ido até a casa dele e levado R$ 2,9 mil: R$ 900 para Soares - para não denunciar o assalto - e R$ 2 mil para Aleixo. Soares acrescentou que os dois comentaram: A parada deu certo. Mas também teriam dito que Kusma havia reagido e fora baleado. Na manhão do dia seguinte, Aleixo foi até a casa de Soares buscar a parte dele no assalto.
Vanderlei Soares informou que conheceu Aleixo há seis anos na Pedra (local onde é feito comércio de veículos usados), onde também trabalha. Já quanto aos outros dois envolvidos diretamente na morte do russo - Reis e Maringá -, disse que os conheceu apenas superficialmente, há cerca de 20 dias, na favela. Não sabia os nomes completos e nem de onde eles são - provavelmente estavam apenas de passagem pela Cidade.
Outro detalhe apontado por Soares foi quanto ao valor do dinheiro roubado. Segundo ele, Reis e Maringá comentaram que o assalto tinha rendido R$ 8,9 mil, e não os R$ 15 mil declarados pela viúva de Kusma, Evdokia Ovchi. Sobre a participação no crime do motorista Jovacir Pereira Júnior, que trabalha na Polícia Civil, Soares disse não saber. Eu conheço o Jovacir também da Pedra, mas não sei se tem alguma coisa com a história.
O delegado Nasser Salmen explicou que Vanderlei Soares resolveu se apresentar, junto com o advogado, depois que a casa dele foi campanada durante toda a madrugada de anteontem. Mas apesar de todos os detalhes e indícios de participação no crime, não houve tempo para expedir mandado de prisão e Soares acabou liberado ontem mesmo. Salmen informou ainda que ontem conversou por telefone com Dario Schinell, de Palmeira, que teria indicado o nome de Lorival Neves dos Santos ao casal de russos para encontrar um caminhão que estivesse à venda. O delegado está convencido de que Lorival apenas repassou o negócio para Aleixo, por não trabalhar com caminhões, e que ele não tem nenhuma participação no crime.
Já sobre Jairton Aleixo, Salmen tem poucas dúvidas: o comerciante armou com Jovacir para aplicar em Kusma o golpe do chute ao mesmo tempo que procurou Vagalume para praticar o assalto. Hoje o delegado deve continuar as diligências para encontrar a dupla Reis/Maringá e também o dono do Passat. Além disso, pretende ouvir novamente o motorista Jovacir Pereira Júnior e, se considerar necessário, pedir a prisão preventiva dele e de Vanderlei Soares.


