Marcos NegriniLocal precárioCélia e os filhos, no condomínio horizontal Favoretto, em Maringá: ‘‘Só consigo sair de carona’’Das 10 famílias que se mudaram há quatro meses para o condomínio horizontal Favoretto, na zona rural de Maringá, a sete quilômetros do centro da cidade, apenas quatro insistem em permanecer no local. Ainda não foram instalados os sistemas de água, esgoto e energia elétrica. Também não existe asfalto e nem linha de ônibus para a cidade.
Ainda nesta semana, os compradores dos 20 lotes do condomínio entram na Justiça contra o corretor José Hélio da Silva, que prometeu infra-estrutura completa às famílias. Cada uma delas comprou mil metros quadrados de terreno dele, por R$ 3 mil à vista.
A água para consumo, inclusive para beber, continua sendo retirada do poluído córrego Mandacaru, que passa no fundo do vale, onde foram divididos os lotes. Uma moradora já foi internada por intoxicação provocada pela péssima qualidade da água.
Há dois meses, a Prefeitura Municipal de Maringá deu início à campanha contra os 20 condomínios horizontais que existem ao redor da cidade. Na campanha, técnicos estão pedindo aos compradores dos lotes que não acreditem nas promessas de infra-estrutura feitas pelos vendedores.
‘‘Esses condomínios estão fora da jurisdição da prefeitura, que não têm nenhuma obrigação de levar água, luz e esgoto à zona rural’’, explica o procurador-jurídico Otávio Salvadore. O prefeito Jairo Gianoto é contra a formação de condomínios horizontais nos limites da cidade. ‘‘Estão fechando as entradas e saídas da cidade’’. O procurador Salvadore afirma que nenhuma das casas que estão sendo construídas nesses condomínios terá alvará da prefeitura.
Célia Maria Azevedo Marin, 21 anos, casada, grávida do terceiro filho, ficou no lote do condomínio Favoretto com o marido, o ajudante de pedreiro Paulo Marin, 21 anos. ‘‘Pegamos e bebemos água do rio. À noite, ficamos na base da luz de vela e da lamparina. O Paulo vai trabalhar na cidade de bicicleta.’’
O corretor José Hélio da Silva não quis dar declarações à Folha sobre o caso. ‘‘E os compradores têm alguma prova de que eu tenha prometido algo a eles?’’, questionou.

mockup