Qualquer criança sabe isso não significa acreditar que Papai Noel tem um trenó puxado por renas e o coelhinho da Páscoa bota ovos de chocolate. Porém, ainda não inventaram uma fábula ou personagem, dono de uma fábrica de brinquedos, doces ou coisa e tal que, no Dia das Crianças, vem de um lugar muito distante para distribuir presentes.
Para as crianças do Jardim São Jorge (Zona Norte) essa fábula a ser contada poderia começar assim: ''Era uma vez quatro motoqueiros que no Dia das Crianças resolveram levar doces e chocolates para os pequenos moradores do bairro''. Ao contrário do Noel que vive no Pólo Norte, escondidinho o ano inteiro até o Natal, os quatro motoqueiros podem ser vistos todos os dias pela cidade pilotando suas máquinas.
''Somos amigos há algum tempo e decidimos tornar o dia dessas crianças um pouco melhor. Cada um deu um pouco de grana e compramos doces e chocolates, montando 680 kits para distribuirmos aqui e em outros bairros carentes'', afirmou o supervisor Alberto Marques de Lima, 38 anos.
Na garupa da motocicleta Shadow, 600 cilindradas, a esposa do supervisor, a professora Josiane Lima, 30 anos, fazia a distribuição dos presentes. ''Como professora vejo muitas crianças necessitadas. A gente gasta tanto dinheiro com coisa fútil e em cerveja. Isso aqui é mais gratificante'', completou Josiane, ao lado dos companheiros nessa viagem, o industriário Washington Luiz da Silva, 39 anos, e a esposa, a comerciante Anelise Santos Silva, 26 anos, devidamente motorizados em uma Mirage de 250 cilindradas.
Para a garotada, a figura do Bom Velhinho atrás da barba branca e roupa vermelha é famíliar, mas a dos personagens em cima da motos deste Dia das Crianças é uma novidade. Logo uma nuvem de guris se formou ao redor das motocicletas. ''Eu não ganhei nenhum presente hoje. Gostei bastante deles, que trouxeram alegria para nós'', disse Érica Ribeiro da Silva, 9 aos, com dois kits na mão, sendo um para a irmãzinha.
Noutro capítulo das histórias do Dia das Crianças, um comerciante do São Jorge, que foi menino pobre de Jatobá da Piranha (PE), distribui há três anos doces e brinquedos usados para a vizinhança. ''Me sinto feliz em poder ajudar. No ano passado fiz a distribuição de três mil pães. Este ano não deu porque estou com doença na família'', resumiu Severino Tavares da Silva, que preparou ainda uma rua de recreio.
Como toda história sempre tem um vilão querendo estragar tudo, no Dia das Crianças também houve quem desejou roubar a alegria dos pequenos. ''Ah, é gostoso ver as crianças felizes. Mas tem muito marmanjão que toma os doces delas'', lamentou a dona de casa Cleide de Souza Barros, 38 anos, mãe de cinco crianças da comunidade do São Jorge.
Contra outros vilões, que tentam roubar a alegria das crianças, como a miséria, fome e abandono, a corrente do bem do Dia das Crianças contou com os membros da 9 Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, que prepararam um acampamento com as crianças da congregação durante a noite que antecedeu a data.
Ontem, o grupo visitou o São Jorge, levando 50 quilos de doces para a gurizada. ''Queremos anunciar Jesus, o pão da vida, mas também o Jesus que mata a fome'', ressaltou o pastor Daniel Zemuner, mais um personagem do Dia das Crianças que, ao contrário do Papai Noel e do coelhinho da Páscoa, existe de verdade.

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