Jandaia do Sul - Eles são aposentados e poderiam passar o tempo em casa, assistindo TV e jogando conversa fora. Sensibilizados com as necessidades enfrentadas pelo Hospital do Câncer de Londrina (HCL), porém, um grupo de voluntários de Jandaia do Sul (Norte) resolveu mobilizar a cidade em prol da instituição que atende muitos pacientes da região.
A primeira campanha para arrecadar leite foi feita em 2005. Desde então, as doações só fazem crescer e, hoje, o município é responsável por suprir a maior parte da demanda mensal do alimento consumido no complexo de atendimento em saúde. ''Tinha um primo internado no hospital. Quando fui vistá-lo, soube das dificuldades. Trouxe a ideia para o grupo de idosos com quem trabalhava e começamos as campanhas'', contou Maria Layde Bardi Farinazo, idealizadora da ação voluntária.
Laura Craco Azolini, Orozimbo e Dalila de Freitas, Otília Manfrim Mareza, Amélia e Adherbal Martinelli, Emília Pinõn, Antônio Bianchi e Eunice Costa completam o time, que tem ainda o apoio de Laércio Farinazo, marido de Maria Layde. Edna Regina Lopes, funcionária do casal, também colabora na organização dos produtos e ainda arrecada leite e outras doações na Vila Rural onde a própria família reside.
A dinâmica do grupo é simples. A casa de cada voluntário funciona como ponto de arrecadação para o leite. Mensalmente, os colaboradores entregam o alimento que é reunido na casa de Maria Layde e enviado a Londrina. ''Não pedimos de porta em porta. Divulgamos a campanha e os interessados em ajudar trazem até as nossas casas'', explicou ela.
Eventualmente, são realizadas campanhas em supermercados. As escolas da cidade também abraçaram a causa e, nas gincanas e eventos solidários, incluem a arrecadação de leite para o HCL nas atividades. ''Dessa forma, conseguimos mandar de 1,5 mil a 2 mil litros por mês.''
Os voluntários lembram que o padre Vergílio Cabral, que não reside mais em Jandaia do Sul, foi um dos grandes incentivadores do grupo. O apoio da imprensa local também é constante. ''Quando as doações caem, pedimos à rádio para lembrar as pessoas sobre a arrecadação e logo conseguimos recuperar nossa meta.''
Gratificante
''Não gosto de ficar sem fazer nada'', explicou a voluntária Laura, justificando porque investiu no trabalho. ''É muito gratificante. Quando cada um colabora um pouco, conseguimos um 'tantão' de leite'', disse. Orozimbo e Dalila já ajudavam o asilo da cidade e, conhecedores dos benefícios do voluntariado para a saúde, aderiram à causa do Hospital do Câncer. ''Temos saúde e disponibilidade. Por que não ajudar?'', disseram.
Amélia e Adherbal também não queriam ficar ociosos. Ao integrarem a ''corrente do bem'' de Jandaia do Sul, passaram a significar muito para os pacientes da instituição. Assim como dona Otília, que procurava uma ocupação e tornou-se imprescindível. ''Sempre quis fazer alguma coisa para ajudar as pessoas e, hoje, me sinto útil. É um trabalho muito gratificante.''

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