O engenheiro eletricista Cosme Damião Xavier, que elaborou um caderno técnico disponível no site do Crea-PR (www.crea-pr.org.br), relatou que em Londrina já aconteceram pelo menos duas mortes por instalação incorreta de cercas eletrificadas. ''Uma das mortes aconteceu em uma escola, onde um menino foi pular o muro, levou um choque e morreu. Era um arame farpado que estava ligado diretamente na corrente elétrica e não tinha limitação de corrente'', relembrou. Ele observou que a utilização de aparelhos energizadores fabricados a partir de bobinas automotivas ou flybacks de aparelhos de televisão e o emprego de arame farpado ou similar para a condução da corrente eletrica da cerca energizada são proibidos.
Segundo Xavier, a corrente deve ser intermitente ou pulsante de cinco joules e a média do intervalo é de 50 impulsos elétricos por minuto, com a duração de cada um deles de 0,001 segundo para evitar que a pessoa que encoste nela fique presa. ''Ela vai ter uma contração e uma sensação de choque, mas não tem perigo de queimar'', explicou. Ele ressaltou que é fundamental que a empresa instaladora seja registrada no Crea e possua um profissional habilitado.
A voltagem de uma cerca eletrificada varia entre oito mil e dez mil volts e possui um limitador de corrente. Segundo o relações públicas do Corpo de Bombeiros, tenente Rodrigo Manoel dos Santos, sem esse limitador de tensão o choque pode provocar parada cardíaca e respiratória. Mesmo com o limitador, existe a possibilidade de a pessoa ser arremessada para trás, pois o choque provoca uma contração muscular e, dependendo da altura pode cair, sofrer fratura e até morrer.
'' Existem cercas que são feitas de maneira improvisada e que podem provocar queimaduras'', revelou. O tenente alertou as crianças que costumam empinar pipas a abolir o uso do cerol e fios de cobre ou fitas metalizadas na confecção do brinquedo. ''Elas podem conduzir a eletricidade e podem até matar'', advertiu. (V.O.)

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