Blumenau (SC) - Depois de doado, um galão de água mineral percorre muito mais que os 251 quilômetros entre Curitiba e Blumenau para chegar a uma das pouco mais de 22 mil pessoas desabrigadas da cidade catarinense. No fim da viagem, essa pequena demonstração de solidariedade com quem perdeu tudo ajuda a diminuir o sofrimento e o desconforto de depender da caridade de estranhos.
Na manhã da terça-feira, 2 de dezembro, a reportagem da FOLHA acompanhou o transporte de 236 toneladas de doações para cinco cidades catarinenses: Joinville, Itajaí, Brusque, Blumenau e Timbó. O comboio levou, entre outras doações, dois galões de água mineral entregues pelo policial militar Rogério da Cruz Francisco no quartel dos Bombeiros do bairro Portão, na Capital. "É minha primeira doação", disse.
A contribuição de Francisco foi uma entre centenas de garrafas de água mineral embarcadas no caminhão Mercedes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) dirigido por Amarildo Vicente. "Eu me voluntariei para o meu chefe", contou. O caminhão de Vicente foi um dos 15 veículos escoltados pela Polícia Militar (PM) em direção a Santa Catarina.
O comboio foi organizado pelo tenente Frezato e acompanhado por carros do Batalhão de Choque da PM e dos Bombeiros. Às 10 horas, depois de receber instruções de Frezato, o grupo deixou o quartel dos Bombeiros no Portão e seguiu em direção à BR-376. No caminho, o tenente recebe a informação de que a rodovia está fechada. Uma queda de barreira bloqueou totalmente o trânsito no quilômetro 663, em Tijucas do Sul (62 km ao sul de Curitiba).
Com caminhões de diversos portes, o comboio pára para avaliar o melhor caminho a ser seguido. Por um lado, o trajeto via Tijucas do Sul (PR-281) apresentava dificuldades para os veículos de maior porte. "O maior risco é o pneu de algum caminhão furar na descida da Serra Dona Francisca", avaliou o tenente.
Depois do almoço, o grupo decide seguir pela BR-277 e atravessar a baía pelo ferry-boat. Em solidariedade, os carros e caminhões que aguardam o embarque na balsa permitem que o comboio passe na frente.
Já na BR-101, em Santa Catarina, os caminhoneiros enfrentam muita chuva e água na pista e passam por inúmeros barrancos com marcas de deslizamento. O perigo, no entanto, não afasta da tarefa o voluntário Rodrigo Haffner, que cedeu o pequeno caminhão-baú da empresa da família para transportar roupas, água e papel higiênico até Blumenau. "Minha família se estabeleceu em Santa Catarina quando chegou da Alemanha", contou.

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