Corrente de solidariedade
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terça-feira, 07 de janeiro de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - A cada 15 dias, um grupo de voluntários da Conferência Vicentina Sagrada Família, da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) se reúne na Paróquia Sagrada Família para distribuição de alimentos a famílias carentes de Londrina. Os donativos são arrecadados no bairro Monte Carlo (zona leste) e depois encaminhados a quem precisa nos bairros San Fernando e Limoeiro. Na paróquia existem dois grupos, que atuam em localidades diferentes.
A Sociedade de São Vicente de Paulo é uma organização internacional fundada há 180 anos e hoje está presente em mais de 100 países. Todas as paróquias contam com no mínimo um grupo de trabalhadores, segundo Maria de Fátima Boletti, secretária da Conferência.
"Atendemos famílias já cadastradas. Eventualmente também podemos ajudar outras que precisem. O nosso grupo atende em média 15 famílias. Temos aquelas com crianças, só com idosos e com pessoas acamadas também", diz.
Além de alimentos, também são doados fraldas, roupas e brinquedos por pessoas e entidades, que confiam no trabalho desenvolvido pelos vicentinos. Doações em dinheiro se transformam em botijões de gás, remédios e até material de construção.
No final de semana a FOLHA acompanhou a visita a algumas famílias. Parte dos donativos, 413 quilos, foi entregue pelo Sicredi, que arrecadou durante a campanha de Natal, através da árvore solidária.
Marcelo Nogueira, gerente da unidade Duque de Caxias, explica que ao invés de uma árvore tradicional de Natal, foi montada uma com alimentos, posteriormente doados para a Escola Municipal Maria Irene Vicentini Theodoro. A instituição é apadrinhada pela Sicredi dentro do programa a União Faz a Vida, que leva noções de cooperativismo e empreendedorismo à rede de ensino de alguns municípios do Norte e Noroeste.
"Temos a política de estar sempre fazendo ações sociais. Também montamos 370 kits com doces e entregamos para os alunos durante a cantata de Natal. A cooperativa é isso, uma corrente de solidariedade, de sustentabilidade. Estar beneficiando e focando a comunidade em que ela está inserida."
A escola, por sua vez, preferiu que os vicentinos fizessem a distribuição. "Escolhemos (os vicentinos) para fazer o repasse porque eles já atendem essas famílias e sabem quem tem mais necessidade. Algumas famílias inclusive têm seus filhos estudando conosco", conta Deise Macedo Reis Cavalcanti, diretora da escola.
Religião
A família da cozinheira Neuci Aparecida da Silva, residente no Jardim San Fernando (zona leste) é acompanhada há aproximadamente dois anos e suas duas netas estudam no colégio. Ela parou de trabalhar para cuidar dos quatro netos pequenos, sendo que um dos meninos têm necessidades especiais. É com o benefício dele e o seguro de saúde do marido de dona Neuci que a família vive, além das doações dos vicentinos. "É muito bom e ajuda bastante o que a gente recebe", conta.
Durante a visita, os voluntários perguntam como estão as crianças na escola, como estão de saúde e se estão também frequentando a igreja. Uma oração em conjunto finaliza a visita.
Em outra casa do mesmo bairro moram Sasha da Silva de Souza e sua mãe, que é viúva e está acamada há algum tempo. Sasha conta que como precisa cuidar da mãe não pode trabalhar e por isso a ajuda dos vicentinos é fundamental. "Recebo um auxílio do governo mas mal dá para pagar as contas. Eles nos ajudam há mais de oito anos, desde quando meu pai era vivo", diz. A irmã de Sasha, que tem uma filha pequena e está grávida novamente, também é assistida pelos vicentinos.
"O alimento é uma forma de entrarmos nas casas, mas vemos a situação como um todo, cobramos a presença das crianças na escola e também na igreja, independente da religião. Atendemos famílias de outras religiões e nos preocupamos que todos tenham essa formação espiritual. Quando percebemos que alguém tem vício em álcool ou drogas também orientamos a buscar serviços de apoio, como os Alcoólicos Anônimos", explica Maria de Fátima.


