Praticar esportes faz bem em qualquer idade, mas há aqueles que, apesar de terem mais de 65 anos, não se contentam com a atividade física leve. O bem estar proporcionado pela prática intensiva de exercícios, a participação em competições e os amigos e lugares que o esporte os levou a conhecer são os principais incentivos destes atletas.
Prestes a completar 76 anos o advogado Floriano Yabe divide seu tempo entre o escritório e a piscina. Há 20 anos ele começou a nadar e atualmente treina de quatro a cinco dias por semana nadando cerca de dois mil metros por dia. Bem humorado, ele conta que iniciou a natação aos 55 anos quando o joelho começou a dar sinais de desgaste por conta do futebol. ''Até esta idade eu só tinha nadado na infância no ribeirão Cambezinho. Sempre achei natação um esporte chato e acho até hoje'', afirmou confessando que prefere os esportes em grupo.
O que motivou Yabe a continuar na natação foram as competições. ''Eu adoro competir, mas para isso sou obrigado a treinar'', brincou. As gargalhadas são uma característica do nadador. ele conta todos os dias tenta bater a meta de dar três sonoras gargalhadas. ''Uma no café da manhã, outra no almoço e a terceira na natação'', elencou.
Dono de inúmeras medalhas, ele disse que por conta da natação já conheceu países dos cinco continentes. Apenas em 2010 ele conquistou 54 medalhas em piscinas e seis em travessias. Yabe já participou de duas Olimpíadas e dois campeonatos mundiais. Apesar de tanto êxito ele garante que é um nadador ''meia boca''. ''Comecei tarde, não tenho embasamento técnico, nem estilo, não sei fazer a virada olímpica, por isso criei uma exclusiva que é sempre motivo de gozação nas competições'', contou.
Yabe afirma que para ele o esporte é sinônimo de saúde e prazer. ''A natação foi o grande divisor de águas na minha vida. Todos temos que fazer um projeto de vida. Há alguns anos eu pensei em como queria estar quando chegasse aos 70 anos. Quero envelhecer tendo uma boa saúde e fazendo o que eu gosto isso está associado a uma atividade esportiva competitiva'', disse. Ele garantiu que para manter a saúde em dia não descuida do acompanhamento médico e visita quase todos os especialistas periodicamente. ''Levo isso muito a sério'', destacou.
Sem depressão
O contato com a natureza sobre duas rodas é a fonte da juventude do médico pediatra José Carlos Schaefer, 68 anos. Três vezes por semana a bicicleta é sua companheira para fugir do estresse e encontrar trilhas, cachoeiras e mata nativa. ''No entorno da cidade tem lugares muito bonitos para conhecer, tem gente que nem imagina quanta beleza se pode encontrar'', disse.
Com um grupo de amigos, Schaefer encara grandes distâncias. Sem medo de aventuras ele mostrou animado as fotos da viagem que fez há pouco tempo pela Europa, onde percorreu com mais seis ciclistas um percurso de 800 quilômetros em nove dias. ''Começamos na Alemanha, passamos pela Áustria e terminamos na Itália'', contou.
O médico afirma que a prática do exercício visa o bem-estar e a saúde. Como médico, Schaefer sabe que a perda de massa muscular é natural e irreversível com o passar dos anos, por isso não descuida da musculação. ''Também faço pilates, que dá flexibilidade e melhora a força muscular'', elencou.
Para ele, os benefícios vão além da questão da saúde física. ''Eu viajo e estudo línguas por causa do esporte. A bicicleta me traz mais do que bem-estar, traz cultura e bons amigos. Aqui não tem depressão'', brincou.
Por conta da idade ele diz tomar mais cuidado nas ladeiras, porque ''às vezes as pedras soltas fazem a bicicleta derrapar''. Schaefer também garante que não desce à toda velocidade e usa todos os equipamentos de segurança porque quer ''chegar inteiro em casa''. Para completar a rotina saudável o médico faz anualmente um check up e procura ter uma alimentação balanceada.

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