Curitiba - O acesso do portador de deficiência ao mercado de trabalho pode ficar ainda mais difícil. Uma decisão dos Correios vai reduzir em até 20% o número de deficientes no quadro de funcionários da empresa. A medida foi tomada para tentar remodelar os convênios firmados pelos Correios com associações de portadores de deficiência física de todo o País. De acordo com a empresa, esses convênios estariam tornando excessivo o número de funcionários deficientes nas agências.
A empresa não soube informar quantos funcionários portadores de deficiência trabalham atualmente nas agências brasileiras. A estimativa é que, somente no Paraná, cerca de 500 empregados, dos 4 mil que a empresa mantém no Estado, são portadores de deficiência física. Eles prestam serviços nas áreas administrativas e de atendimento, mas são terceirizados e vinculados a associações. Essas pessoas não fazem parte do quadro de funcionários concursados da empresa.
No Paraná, os Correios não estão autorizados a falar sobre a medida. Em Brasília, a assessoria de imprensa informou que a decisão não fere a Lei 8.213/91, que obriga as empresas com mais de 100 empregados a terem em seus quadros de funcionários, até 5% de portadores de deficiência. Segundo os Correios, quando há concurso, as vagas destinadas para deficientes estão garantidas, de acordo com a lei.
Para atenuar o impacto da medida, a empresa anunciou que os desligamentos não vão ocorrer imediatamente. Os funcionários serão afastados nos próximos meses e serão registrados em um banco de dados que será distribuídos a empresários. O objetivo é tentar recolocar essas pessoas no mercado de trabalho.
‘‘Serão mais desempregados no País’’, lamenta o presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), Nivaldo Menin. Para ele, os portadores de deficiência têm mais dificuldades em conseguir um emprego. ‘‘Além de uma chance de integrar o mercado, o convênio com os Correios era uma oportunidade grande de qualificação, já que geralmente era o primeiro emprego das pessoas’’, explica Menin. Somente a ADFP, mantinha 160 funcionários nas agências paranaenses.

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