No ano passado o garoto Leon chorou por não ter sido lembrado pelo Papai Noel e este ano sonha com uma bicicleta ou um par de tênis. Jonathan, de seis anos, confessa que fez algumas bagunças, ''mas nada grave'', por isso pede um carrinho de presente. Maria Aparecida está desempregada e espera que o filho Natan, que não está bem de saúde, tenha um dia de alegria. Os três vivem em bairros pobres de Londrina e não têm perspectivas de um Natal farto, por isso recorreram aos Correios para ter seus desejos atendidos.
Há cerca de 10 anos a empresa recebe e deixa à disposição da população, nesta época do ano, milhares de cartas recebidas de crianças, jovens e adultos que sonham com a compaixão de Noel. No mês de outubro as correspondências já começam a chegar, e só este ano já foram recebidas cerca de três mil. Até 25 de dezembro são esperadas pelo menos mais 600 cartas. ''No ano passado chegaram 3.089 pedidos, dos quais 2.038 foram atendidos'', informa a gestora de Negócios Internacionais dos Correios, Fátima Gonçalves da Silva.
Ela revela que tudo começou com a iniciativa dos próprios funcionários dos correios, que se cotizavam para atender os pedidos. Com os anos, porém, o volume de cartas cresceu muito e o serviço passou a fazer parte do Programa de Responsabilidade Social da empresa. Atualmente, segundo Fátima, o quantidade de correspondências cresce de 20 a 25% de um ano para o outro.
''O que procuramos é alimentar o sonho do Natal e estimular as pessoas a serem mais solidárias'', revela a gestora. Ela explica que nem todos os pedidos são atendidos, mas todas as cartas são respondidas. A tarefa cabe ao Departamento de Comunicação dos Correios, em Brasília. ''O texto pede para que nunca desistam dos seus sonhos, até porque o tempo do Papai Noel é diferente do nosso tempo'', diz Fátima.
Alguns pedidos chamam a atenção. A gestora lembra que certa vez uma senhora recorreu à estatal para pedir a boneca que nunca teve na infância. Outra, que ficou acamada vários anos, sonhava em poder entrar sozinha no supermercado e fazer as compras do mês. Nos dois casos os pedidos foram atendidos. Fátima também tem uma explicação para as reivindicações mais ousadas, como notebooks e videogames: ''Toda criança, independente da situação financeira, acredita em Papai Noel''.
Antes de ser colocadas à disposição da população, todas as cartas são lidas por voluntários dos Correios e cadastradas. Os presentes podem ser entregues (junto com a carta) na agência Centro da empresa ou na própria residência. No primeiro caso, uma equipe se encarrega de fazer a entrega. ''Todos os presentes que chegarem até o dia 15 serão entregues antes do Natal'', garante a gestora.
A profissional de marketing Luciane Bizarro, 23 anos, gostou da iniciativa, tanto que dias atrás pegou quatro cartas e ontem foi buscar mais seis, para ela e para alguns amigos. ''Em um dos casos vou entregar pessoalmente, porque é uma cirança que está com a mãe doente e o pai morreu.'' O vendedor Rogério Reis também foi buscar cartas para ele e para dois amigos. ''No ano passado a empresa que eu trabalho também colaborou. Acho que é uma forma da gente garantir um pouco de alegria a estas crianças que sofrem tanto o ano inteiro.''

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