Correio vive colapso com dupla numeração
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997
Sid Sauer Correspondente 
CAMPO MOURÃO - A fama de empresa eficiente adquirida pelo Correio ao longo dos anos está em xeque em Campo Mourão. A culpada é uma reforma total na numeração predial da cidade realizada há um ano. A idéia da mudança saiu do próprio Correio, que se sentia prejudicado com a numeração confusa e desordenada que tomava conta da cidade. Agora, o problema são os usuários, que receberam um novo número em seus imóveis, mas não atualizaram cadastros e nem avisaram seus correspondentes.
A situação é complicada, admite o gerente de distribuição, Antônio Casalvara. Demos 90 dias para as pessoas atualizarem seus cadastros, mas já se passou um ano e isso ainda não foi feito. Pelos seus cálculos, cerca de 30% das correspondências que chegam a Campo Mourão estão com os números antigos. Isso representa pelo menos três mil cartas por dia. O carteiro perde tempo procurando esses números e acaba prejudicando quem se atualizou, ressalta o gerente.
O empresário Nery José Thomé, por exemplo, não esconde sua revolta com o atraso das correspondências que recebe. Não lembro qual foi a última vez que recebi a fatura do meu cartão de crédito antes do vencimento, conta. Ele passa o mesmo drama com as contas de luz e do consórcio. Como empresário, Thomé já tomou providências. Suspendeu um contrato em que o Correio entregava as cobranças bancárias de sua empresa. Agora, um office-boy é quem faz o serviço.
As as cobranças chegavam ao destinatária depois do vencimento, conta Thomé. Não aguentávamos mais tanta reclamação de nossos clientes. O vendedor Josemar dos Santos também vive seu drama com o Correio. A fatura do consórcio de uma motocicleta, que vence no dia 6, este mês chegou somente dois dias depois. Tive que pagar juros, lamenta. Nas agências de automóveis, as reclamações por faturas de consórcios que não chegaram viraram cena comum.
Protocolo No Procon, já houve até quem telefonasse para dizer que perdeu o sorteio de um carro no consórcio porque recebeu a conta atrasada e pagou a mensalidade fora do prazo. O maior número de queixas, no entanto, é para o atraso na entrega das contas de telefone. Nada foi protocolado ainda, mas as reclamações por telefone são diárias, diz o secretário executivo do órgão, Waldemar Fenerich. Ele aconselha as pessoas a exigirem um protocolo do carteiro datado e assinado.
Não é justo que se pague juros por uma conta que chegou depois do vencimento, frisa Fenerich. O próprio Procon sente o drama do atraso das correspondências quando emite notificações para empresas e consumidores. Elas demom demais para chegar. Segundo o gerente de distribuição, há um mês os carteiros deixaram de procurar os números antigos. Se o número está errado, a carta é devolvida. Essa parece ser a única maneira de forçar as pessoas a atualizar seus cadastros, diz.


