O vendedor ambulante Natalício de Barros Fonseca, 24 anos, acabou se envolvendo numa confusão, ontem, na agência central dos Correios. O vendedor tentou pagar uma taxa (multa por não ter feito o alistamento militar) com R$ 3,00, enquanto o preço é de R$ 3,45. Natalício pegou o comprovante de pagamento da taxa e saiu da agência dizendo que ia buscar o restante do dinheiro.
No entanto, o supervisor da agência, Donizete Mendes, determinou ao segurança Carlos Alves da Silva que impedisse que Natalício saísse com o comprovante do pagamento. O supervisor mandou chamar a polícia, alegando que Natalício teria jogado uma pedra no segurança, após tentar fugir.
Natalício Fonseca afirma que o segurança o agrediu e por isso se defendeu jogando uma pedra, mas que não fugiu porque não estava fazendo nada de errado. ‘‘Eu só disse que ia pegar mais dinheiro com o meu patrão’’, ele garantiu.
Muito nervoso, Natalício chorava e mal conseguia falar. Eunice Carvalho, cliente da agência, sensibilizada com o episódio, tomou as dores de Natalício e ofereceu dinheiro para pagar o que faltava. Dona Eunice ainda pediu para que ele parasse de chorar, dizendo que homem não chora daquele jeito. ‘‘Eu resolvi ajudar porque tenho filhos e sei que não se humilha um homem assim, na frente dos outros.’’
A gerente dos Correios, Dalva Maria Ribeiro, lamentou pelo ocorrido e disse que vai apurar os fatos. Ela disse ainda que os procedimentos tomados pelo supervisor foram impulsivos. Segundo Dalva, mesmo que o vendedor tenha corrido, nada justifica a atitude do supervisor e do segurança. ‘‘Essa não é a filosofia da nossa empresa’’, afirma Dalva Maria Ribeiro. ‘‘Se fosse um valor maior, mais tarde nós até poderíamos formalizar uma queixa.’’

mockup