Córrego tem poucos problemas
Córrego tem poucos problemas
Dorico da SilvaO Córrego Água Fresca faz parte do Vale Verde: um dos mais cuidados e desperta a atenção dos visitantesO Córrego Água Fresca um dos 29 afluentes do Ribeirão Cambé é pequeno, estreito e pouco profundo. Suas águas nascem no fundo do Jardim Los Angeles (área central), a poucos metros da Avenida Juscelino Kubitschek, e chegam no Lago Igapó 2, perto do Corpo de Bombeiros, no Jardim Higienóplis. O córrego está dentro do Vale Verde, sem dúvida um dos mais bem cuidados da cidade.
Apesar de não contar com infra-estrutura para o lazer exceção de dois campos de futebol e pista de cooper o Vale Verde chama a atenção dos visitantes pelo seu belo visual, formado por um amplo bosque notadamente na margem direita do Água Fresca. Ele possui grandes árvores nativas e exóticas, muitas espécies frutíferas e é quase que totalmente coberto por gramado.
Nos finais de tardes ensolaradas, como a de ontem, é comum os estudantes das escolas que funcionam na região passarem pelo Vale Verde para apanhar amoras, ameixas e outras frutas. Dentro do bosque, ao redor da nascente protegida por caixa de cimento, há uma trilha sem calçamento para a prática de caminhadas. Ela está bem conservada, principalmente na margem direita, no Jardim Quebec, até a ponte da Rua Goiás.
Aqui é muito bom para andar, principalmente bem de manhã ou à tardinha. O local é muito tranquilo e bem seguro, comenta a dona de casa Adelaide Marques, que mora no Jardim Canadá, a poucas quadras da margem esquerda do Água Fresca. Entre a Goiás e a ponte da Rua Alagoas nos fundos do Cesulon o Vale Verde sofre um pouco com o lixo jogado por pessoas.
Na semana passada, funcionários da Comurb que assumiu recentemente o serviço de recuperação, manutenção e fiscalização dos fundos de vale capinaram, roçaram e limparam todo o vale do Água Fresca. Segundo a gerente de manutenção e serviços, a arquiteta Sílvia Saadjian, na área foram roçados 63 mil metros quadrados, capinados 500 metros quadrados e pintados 3.200 metros lineares de meio-fio; além de retirados 21 metros cúbicos de grama.
O Vale Verde conta com dois campos de futebol para as tradicionais peladas de fins de semana: um próximo à nascente e outro ao lado da ponte da Rua Humaitá, na margem esquerda do Água Fresca. Durante o percurso de cerca de 2 km, a água do córrego que não é canalizado tem boa aparência, apesar de pequeno volume.
É na sua foz, no entanto, que fica visível o efeito das erosões sofridas ao longo de suas margens nos últimos: o leito está muito assoreado. Aqui, 25 anos atrás, era um poção onde com meus amigos eu aprendi a nadar. Pulávamos desta ponte (da Rua Joaquim Barreto), para brincar na água, conta o pintor autônomo Orivaldo João da Silva, 35 anos, que nasceu e mora até hoje na mesma casa, no Jardim Higienópolis.
Cresci nadando e pescando aqui. Agora, com o córrego rasinho assim, infelizmente quase não tem peixe. Algumas pessoas ainda vêm pescar, mas de teimosa porque não pegam nada, comenta Orivaldo da Silva. Perto da foz do Água Fresca também ficam depositadas as latinhas e garrafas plásticas de refrigerantes além de outros tipos de lixo que foram jogadas por pessoas ao longo de seu percurso. É um melancólico fim para o córrego do belo Vale Verde. (O.C.)





