Córrego do Leme atrai visitantes
Osmani Costa
De Londrina
Dos 81 fundos de vale espalhados pelo perímetro urbano de Londrina, o do Córrego do Leme é sem dúvida o mais frequentado e o que conta com a melhor infra-estrutura à disposição dos usuários. Afinal, é nele que fica o Zerão, com seus campos de futebol, quadras poliesportivas, pistas de cooper, parque infantil e anfiteatro com capacidade para milhares de pessoas.
Pelo fundo de vale do Zerão passam as águas do Córrego do Leme, que nasce poucas dezenas de metros acima, ao lado do Ginásio de Esportes Moringão. Neste espaço, com cerca de 500 metros de comprimento, o córrego está canalizado e tem uma água bem limpa, transparente. A pista de cooper do Zerão, frequentada diariamente por milhares de pessoas, tem 1 quilômetro de comprimento. Aliás, são duas pistas: uma de terra coberta por pedrisco e uma asfaltada.
Gosto muito de andar aqui. Venho sempre com meus amigos. O ar é puro e o local bem tranquilo. Acho que estas árvores e esta paz acalmam a gente, comenta a estudante Milena Zancope, 20 anos, que mora no Jardim Santa Mônica (zona norte). Já o petroleiro aposentado José Lemos, 62 anos, reside no centro e reivindica melhorias para a pista de cooper: Em volta, está tudo bem cuidado. Mas a pista está precisando de nova camada de pedrisco. Está velha, muito gasta; quando chove, vira uma lama, explica Lemos, que costuma caminhar no local com sua esposa Antonieta.
Na margem esquerda do Zerão cujo nome oficial é Centro de Recreação e Lazer Luigi Borghesi fica a Vila Ipiranga, uma das mais antigas da cidade; na margem direita, o Jardim Bela Vista. A área conta com bom número de árvores, ajardinamento e gramado protegendo as margens do Córrego do Leme. Isto aqui é uma maravilha. Pena que muitas pessoas, por falta de educação, jogam garrafas plásticas, papéis de sorvetes e todo tipo de lixo na grama e na água do riacho, reclama a professora Marlene Dias Lopes, que usa diariamente a pista de cooper.
Além das duas pistas, o Zerão conta com um anfiteatro para shows musicais e artísticos ao ar livre construído pelo ex-prefeito Wilson Moreira na década de 80 , dois campos de futebol gramados, duas quadras poliesportivas e um parquinho infantil.
Abaixo da ponte da Rua Amintas de Barros, o Leme ainda corre uns 250 metros até desembocar no Lago Igapó 1, ao lado do Iate Clube. Aqui, onde seu leito não é mais canalizado e se alarga, é que muitas pessoas passam horas de lazer pescando. Ontem à tarde, o carpinteiro desempregado Miguel da Luz, 29 anos, tentava pegar algumas tilápias para garantir a mistura do jantar.
Venho aqui sempre que posso, para passear com as crianças e me distrair um pouco. Agora, que estou sem trabalho, venho todas as semanas. Sempre pego alguns carás e tilápias, conta Miguel da Luz, acompanhado por seus três filhos menores. Ele mora no Jardim Novo Perobal (zona sul) e diz que costuma pescar no local há cerca de cinco anos.
Outro desempregado que tem pescado bastante no Córrego do Leme ultimamente é Sérgio Soares, 21 anos, morador da Vila Casoni (área central). No início, há uns quatro anos, pescava aqui só por lazer. Mas agora, com a situação difícil, venho buscar peixe para comer mesmo, ressalta Soares, mostrando algumas tilápias com cerca de um palmo cada que acabara de pescar.
Nesta parte do córrego, a água já não é tão limpa e mostra manchas de óleo combustível, provavelmente resultado de alguma ligação clandestina feita por autoposto com as galerias de águas pluviais nesta área central da cidade. Entre o córrego e um pequeno braço do Igapó 1 por onde saem para seus treinamentos diários os canoístas há uma pequena ilhota.
Nela, o Iate Club começou a construir, no início do ano, uma quadra de areia para jogos de futebol e voleibol. A promotora de Desfesa do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach, interditou a obra por considerar que ela está dentro da faixa mínima de 30 metros em cada margem de córrego, ribeirão ou rio de preservação ambiental permanente. O clube foi autuado por fiscais do escritório regional do Ibama, mas recorreu junto ao escritório estadual em Curitiba. Ainda não saiu a decisão sobre o recurso, que possibilitará ou não a retomada da construção da quadra.Com boa infra-estrutura, fundo de vale é um dos que mais desperta o interesse dos londrinenses
Dorico da SilvaHARMONIAO Zerão, espaço desfrutado pelos londrinenses que buscam um contato com a natureza: ar puro, tranquilidade e beleza no centro da cidadeDorico da SilvaO carpinteiro Miguel da Luz, com os filhos no Córrego do Leme: tentativa de garantir a mistura do jantar





