Córrego das
Pombas, o único
canalizado
Fotos Milton DóriaO Córrego das Pombas, que desce por cerca de 3 quilômetros da Avenida Dez Dezembro. No detalhe, a arquiteta Teba Godoy, da UELO Córrego das Pombas é muito diferente dos outros oito ribeirões, dois arroios e 70 córregos espalhados pelo perímetro urbano de Londrina. Apesar de, como todos os outros, também ficar no fundo de um vale, ele não conta com margens naturais.
Ele é o único da cidade que tem seu curso de água completamente canalizado. O córrego nasce nas proximidades do Terminal Rodoviário e segue pelo canal da Via Expressa – também conhecida com Avenida Dez de Dezembro – por cerca de 3 km, no sentido norte-sul, até desaguar no Ribeirão Cambé, entre a barragem do Lago Igapó 1 e o Parque Arthur Thomas.
Por efeito da canalização – feita nos anos de 1975-77 para a construção da Via Expressa –, não são visíveis nem a nascente e nem a foz dele. Elas estão localizadas sob o concreto da avenida. O volume de água é pequeno, até a chegada do afluente Córrego Guarujá, pela margem direita, na Vila Rodrigues.
É comum os moradores vizinhos de córregos urbanos reivindicarem às autoridades a canalização deles, notadamente quando possuem águas poluídas que exalam mau cheiro e ajudam na proliferação de mosquitos, baratas e ratos em suas várzeas.
Entre as autoridades ouvidas pela Folha ao longo desta série de reportagens, no entanto, há um consenso de que a canalização não é o melhor caminho. Elas lembram, principalmente, que a canalização e respectiva diminuição das área permeáveis nas margens dos rios podem gerar grandes inundações.
‘‘Canalizar deve ser a última opção. Isto, depois de esgotadas todas as outras possibilidades, mais baratas e que terão sem dúvida melhores resultados no tocante à preservação da natureza’’, afirma a arquiteta e professora da UEL, Teba Yllana Godoy, que durante dois anos trabalhou na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) elaborando projetos de recuperação, utilização e manutenção de fundos de vale.
De acordo com ela, a canalização do Córrego das Pombas teve início – há quase três décadas – numa época em que não havia a atual preocupação com o meio ambiente. ‘‘A canalização às vezes é justificada com as vantagens em termos imobiliários, de expansão das áreas ocupadas, ou de necessidades de transportes. Mesmo nestes casos, ela deve ser estudada de maneira global, valorizando os potenciais paisagísticos. O projeto deve ficar sob responsabilidade de um grupo multidisciplinar de profissionais, levando-se em consideração a qualidade de vida da população’’, ressalta Teba Godoy. (O.C.)

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