Uma passarela e um programa de conscientização ambiental para dar mais segurança aos moradores vizinhos ao córrego Bom Retiro (Área Central). Essas foram as duas primeiras medidas definidas ontem em reunião com os moradores e representantes da Sanepar, Prefeitura, Instituto Ambiental do Paraná e Ministério Público. Na semana passada a adolescente Isabel Ferreira, 17 anos, morreu afogada no córrego, o que provocou revolta na comunidade. Outras crianças já foram vitimadas por acidentes idênticos anteriormente.
O córrego, que atravessa a Vila Marízia e Vila Casoni, é frequentado por crianças e a comunidade tem o hábito de retirar água para uso. Isabel tinha ido buscar água quando ocorreu o acidente. Além disso, por falta de acesso, os moradores, principalmente estudantes, costumam utilizar a tubulação da Sanepar sobre o córrego como ponte para passar de um bairro para outro.
O projeto de construção da passarela será elaborado pela Secretaria de Obras. Já a Sanepar se comprometeu ontem, com acompanhamento do Conselho Municipal de Meio Ambiente, a implantar uma campanha de conscientização junto à comunidade para tentar restringir o uso da água do córrego, possivelmente contaminada, e evitar que os moradores voltem a nadar no local. Um mutirão de limpeza na área e um programa de revitalização serão analisados em reuniões futuras.
A mãe da adolescente morta, Rosa Maria Ferreira, 41 anos, participou da reunião e acredita que a passarela pode ajudar. ''Descobri que tinha risco (o córrego) depois que perdi minha filha'', conta. Ela comenta também que o costume de usar água do córrego está arraigado na comunidade. '' Acho que é costume, muita gente gosta da água de rio e mina, acham que é mais saudável'', afirma.
Outro grave problema da região é o número de casas irregulares, construídas sem respeitar o limite de 30 metros da margem do córrego. Segundo a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), pelo menos 120 pessoas moram irregularmente na região. ''Esse é um problema bastante grave, mas estamos junto com a Cohab estudando o reassentamento dessas pessoas'', afirma o promotor de Meio Ambiente, Eduardo Nagib Matni.

mockup