Corregedoria julga greve de fome dos estrangeiros
Emerson Cervi
De Curitiba
A corregedoria dos presídios deve julgar hoje a greve de fome de oito presos estrangeiros da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, como falta grave dos detentos. Eles iniciaram a greve na noite de sexta-feira, depois de uma reunião com o secretário de Estado da Justiça, José Tavares. Os presos querem ser extraditados para seus países de origem para terminar de cumprir as penas.
Se o juiz corregedor confirmar que os grevistas estão cometendo uma falta grave, como previsto na legislação, os presos podem perder todos os benefícios que tiveram até agora na PCE. Esse é um risco que eles conheciam desde o início e decidiram correr, disse ontem um dos advogados dos detentos, Arci Poffo Junior. Segundo o advogado, a greve de fome vai continuar. O preso que comete falta grave perde, por exemplo, todos os dias de remição da pena aqueles reduzidos do período de prisão. Por este motivo, o secretário Tavares tinha pedido que os presos esperassem pelo menos uma semana para iniciar a manifestação. Eles não aceitaram.
Desde sexta-feira à noite os grevistas estão em uma área isolada na PCE. O secretário José Tavares tem audiência agendada para hoje com a secretária Nacional de Justiça, Elisabeth Sussekise, do Ministério da Justiça, para tratar da extradição dos presos. Tavares vai iniciar uma negociação política para driblar as barreiras jurídicas impostas à extradição de presos por crimes comuns.
A maioria dos tratados de extradição assinados pelo governo do Brasil prevê a obrigatoriedade do preso ter concluído a pena para ser transferido ao País de origem. Os grevistas da PCE são condenados por tráfico de drogas. A maioria já cumpriu mais de um terço das penas. Se tivessem endereço fixo e familiares vivendo no Brasil eles poderiam concluir as penas em regime semi-aberto. Mas, por serem estrangeiros precisam continuar no presídio.
Tavares quer negociar com o Ministério da Justiça a transferência de todos os 61 presos estrangeiros do sistema penitenciário estadual. Só na PCE são 22 apenados. Estão fazendo a greve de fome três presos paraguaios, um argentino, dois colombianos, um boliviano e um liberiano.





